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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Terça dos artesanais - Venha conhecer a criatura e o criador.

Se você gosta de cerveja, de fazer ou simplesmente de apreciar, a terça dos artesanais é uma excelente oportunidade de conhecer novas cervejas, aprofundar seus conhecimentos e, de quebra, participar de uma degustação grátis!

O evento tem o apoio da Acerva Paranense e é muito frequentado por cervejeiros caseiros, então sempre ocorrem trocas de informações valiosas sobre características técnicas da cerveja e sobre a fabricação em si. Seja você apreciador, conhecedor ou cervejeiro, será de grande proveito.

Na próxima terça feira (10/11/2015) o evento acontecerá na cervejaria Masmorra ( R. Itupava, 1142 - Alto da Rua XV - Curitiba) e será capitaneado pela Yankee Nanocervejaria, que apresentará algumas de suas criações, além de comandar o debate. A entrada é gratuita e a degustação também.



A Yankee Nanocervejaria é a criação do mestre Gean Carlo Vila Lobus, escolhido cervejeiro catarinense do ano no IV Concurso Estadual de Cervejas Caseiras da ACervA/SC, concurso em que foi premiado nas seguintes categorias:

Ales Inglesas:
3º Lugar – English Barleywine


Frutas, Especiarias, Defumadas, Madeira
1º Lugar – Wood-Aged Beer


Outros Hidroméis
2º Lugar – Braggot


No best of show, rodada em que são eleitas as melhores cervejas, independente de categoria, Gean ainda foi premiado com a melhor cerveja do concurso, com sua Wood Aged e terceiro lugar com o Braggot na categoria Hidromel. 







quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Os 10 mandamentos dos eventos cervejeiros

Para que e para quem servem os eventos cervejeiros? Esta é a pergunta que não quer calar em minha mente neste momento. Seguindo a linha de "O que ninguém vai te falar sobre festivais de cerveja", elencamos os dez mandamentos dos eventos cervejeiros.

Desde que começamos a nos interessar por cerveja, visitamos diversos eventos e festivais e agora fazemos questão de, pelo menos, passar pelos eventos mais importantes. Aprendemos muito com esta experiência e vamos ilustrar a realidade da organização de eventos cervejeiros com estes dez mandamentos.

Alguns dos mandamentos não são exatamente falhas de organização ou culpa do evento, mas são desvantagens claras em relacão a sentar em um bom bar para apreciar sua cerveja.  Vale também ressaltar os eventos que foram mais cuidadosos com estes fatores, proporcionando melhor experiência aos seus convidados:

1 - Cervejas Curitibanas - Quintana Café e Restaurante: Tirando alguns pequenos descuidos com a forma de apresentar e servir a cerveja, o Quintana cuidou de tudo na comemoração de seus sete anos.

2 - Festival Brasileiro da Cerveja - A Vila Germânica, em Blumenau, é a sede mais do que apropriada para o grande evento de maior qualidade que já presenciamos. 

Alerta: Não são todos os eventos que cumprem com todos os requisitos abaixo, mas mais da metade estará disponível no próximo final de semana, no evento mais próximo de você.


1 - Aguardarás em filas
Imagem: antropologiajuridicauesb
A fila é regra nos eventos cervejeiros, seja para comer ou para beber, você irá encarar filas. Muitas vezes você terá que enfrentar duas filas: uma para comprar o ticket e outra para capturar sua cerveja.  Bônus: Haverá fila para o banheiro também.



2 - Beberás em copos de plástico ou vidros de conserva



Imagem: www.beercast.com.br/

Com muita gente por todos os lados, é praticamente impossível prover copos adequados a todos. (Exceto Dum Day, que forneceu cristal a cada um de seus participantes). A moda, atualmente, é vender o caneco de acrílico ou copo de plastico, com a opção de devolver o dinheiro ao fim do evento, mediante a devolução do copo. Cabe ressalvar que o canequinho acrílico é legal, mas que quando você vai a um local especializado, deveria ter a oportunidade de beber em um copo de vidro, devidamente higienizado. Sabemos que a lógica de um evento ou festival é outra, mas este é um fato negativo quando em um festival.


3 - Ficarás em pé


Sim, não há lugar para todos se sentarem e, mesmo que houvesse, a maior parte do tempo você estará em pé em uma fila.

4 - Comerás mal



Em eventos cervejeiros a regra é: Hanburguer de Food Truck. Ou seja, comida ruim e cara. Você irá pagar caro para comer em pé um lanche de baixa qualidade, servido em pequena quantidade.

5 - Estacionarás em qualquer lugar


Imagem: cgn.uol.com.br/


Está certo que bebida e direção não combinam, mas quem é adepto do motorista da rodada não tem onde estacionar o carro. Nós, que vamos de bike, tampouco somos contemplados com espaço adequado ou segurança de estacionamento.

6 - Gastarás todo o seu dinheiro




Sim, os eventos normalmente não tem promoções convincentes de cerveja e, como mencionado no mandamento de número 4, a comida é caríssima.

7 - Beberás cerveja estragada 

Talvez o maior desgosto de um apreciador de cervejas seja tomar um chope com defeito. Desconfiamos que alguns eventos são organizados com o intuito de acabar com barris que possuem algum defeito (off-flavours, contaminação ou prazo de validade). A maioria dos eventos cervejeiros, infelizmente, tem servido chopes com algum defeito. 

8 - Beberás cerveja mal servida
Imagem: blogs.estadao.com.br/


Além de ser servido num copo inadequado, seu chope será servido com pressa (pois há fila), possivelmente por uma pessoa que não foi propriamente treinada (é necessário contratar muitos profissionais para atender a um batalhão de bebedores). Como já dissemos em "maneiras simples de dizer se um bar de cerveja é sério", o bico da chopeira não deveria tocar o copo e, muito menos, o conteúdo que fora servido. Mas, em alguns eventos, vale tudo: cerveja escorrendo pelo chão, bico da chopeira mergulhado na cerveja servida, troca do barril sem limpeza de mangueiras. Higiene zero.

9 - Não lavarás suas mãos

A regra é, gente suada e engordurada para todos os lados. Além de ter que aguardar na fila para utilizar um banheiro químico, você provavelmente não terá local apropriado para lavar suas mãos. Se comer um hambúrguer, deve se contentar apenas com o guardanapo. Mais uma vez, nota zero para higiene. Não é de se admirar que tanta cerveja contaminada seja servida neste tipo de evento. Nem todos os eventos oferecem torneiras para limpeza dos copos, que deveria ser obrigatória neste tipo de situação.


10 - Ficarás exposto ao tempo


Imagem: wp.clicrbs.com.br/


Este é um ponto que está melhorando muito, mas como a maior parte dos eventos ocorre a céu aberto e, invariavelmente há fila, você terá que encarar sol, chuva, frio, ou o que São Pedro mandar para você neste dia. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Mais uma cervejaria comprada pela Ambev

Imagem: paladar.estadão.com.br

O maior fato cervejeiro da semana passada foi a compra da cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, pela Ambev. Sendo esta a segunda abocanhada do ano no Brasil, cinco meses após a Ambev comprar a mineira Wals, todos se perguntam: "Qual será a próxima?"

Vários nomes foram citados pelos interessados no mercado cervejeiro. Façamos uma análise para tentar determinar quais seriam os próximos alvos:

Quais as características comuns entre Wäls e Colorado?




Wäls Colorado
Faturamento anual R$9 milhões

R$18 milhões

Produção mensal 80.000 litros

135.000 litros

Rótulos 21

18

Tradição 15 anos

20 anos


Tanto a Wäls quanto a Colorado possuem projetos internacionais, com rótulos já em fase de exportação. Ambas possuem produção consistente e vasta rede de distribuição no Brasil.


Ao compararmos os perfis de produto Wäls e Colorado, podemos ver que são linhas de cervejas complementares e que não competem entre si.

Ao contrário do que a Ambev declarou sobre estas compras, o que as suas escolhas denotam é que seu objetivo não é o de construir uma cultura cervejeira brasileira, mas sim, de recompor seu domínio no mercado. Note-se que as duas cervejarias adquiridas são, provavelmente, as duas que mais permearam o mercado nacional. Sendo assim, fica cada vez mais difícil comprar cerveja que não seja da Ambev.

Ficou muito claro que a Ambev, com estas aquisições, não tem interesse em comprar receitas de cerveja, cultura cervejeira, o que interessa são fábricas consistentes, tradicionais e com representatividade de mercado. Ou seja, eles compram quem mais incomoda, quem mais tira faturamento deles. A partir daí, fica fácil analisar quais seriam as possíveis novas integrantes do grupo da Bohemia. A partir daqui, não falamos mais em cerveja, falamos em mercado, faturamento, capacidade de produção e do quanto cada uma pode incomodar a Ambev.

Quais as potenciais compras?

Feitas as devidas considerações, vamos à análise mercadológica das possíveis compras:

Nomes que já foram citados em outros sites e por entusiastas do ramo: Bierland, Bodebrown, Waybeer, Coruja, DaDoBier.


Bierland: Cervejaria de qualidade consistente, bem distribuída no mercado e que, apesar do viés tradicionalista, tem valores menos calcados na cultura cervejeira e na qualidade do que no mercado ($). Pelo perfil, pode ser uma boa aposta.

Coruja: Possui clientes devotos e cultura própria, tem boa distribuição e boa capacidade de produção, pode ser uma das escolhidas. 

Do alto de nossas buscas, encontramos uma cervejaria que não foi citada mas possui perfil muito semelhante às duas já adquiridas: a Amazon Beer. Cervejaria com capacidade de produção equivalente às novas integrantes do grupo Bohemia, tem se espalhado rapidamente pelo Brasil e, assim como Colorado e Wäls, já trabalha com projetos de exportação de suas cervejas. Ainda não está tão pulverizada no mercado nacional mas tem capacidade e competência para ganhar sua fatia do bolo.

Bodebrown: A Bodebrown é muito premiada e já fez várias parcerias para cervejas no exterior, mas tem produção acanhada em relação às escolhidas pela Ambev. Caso a busca fosse por qualidade e cultura cervejeira, esta cervejaria escola poderia estar nos planos da gigante monopolista, mas nosso palpite é que não é isso que irá acontecer.

Waybeer: Cervejaria que desponta pela qualidade e variedade de seus rótulos, tem sido bem distribuída e é um dos nomes mais comentados, entretanto ela tem um perfil diferente das duas já adquiridas por produzir muito menos e faturar cerca de um terço do que fatura a Wäls.

DaDoBier: Já é uma gigante do setor, muito mais difícil de ser negociada, com capacidade de produzir 1 milhão de litros por mês e faturamento de mais de R$200 milhões anuais, distribuídos não só em cerveja, mas em pubs, restaurantes e outros empreendimentos.

Com o anúncio da compra da Colorado, a Ambev começou a se posicionar em relação a estas aquisições, demonstrando que está orientada a ganhar mercado, investindo em cervejarias de médio porte, já consolidadas e com poder de mercado significativo.

O que houve no Brasil foi o maior interesse do mercado em consumir cervejas artesanais e, quando isso tomou corpo a ponto de atrapalhar os negócios da gigante, ela teve que reagir. Vale comentar que estas aquisições fazem parte da política mundial da AB Inbev, que em Maio deste ano também comprou a Bogotá Beer Company, maior cervejaria artesanal da Colômbia e deve continuar a comprar cervejarias pelo mundo. Talvez o processo de compras no Brasil não continue tão acelerado e nenhuma outra cervejaria seja comprada nos próximos meses, mas que fique bem claro, estamos falando apenas de negócios e não de cultura cervejeira, qualidade ou qualquer outro valor estimado pelos cervejeiros artesanais. No mundo da Ambev, o que vale são as cifras.


E aí, qual o seu palpite para a próxima aquisição da Ambev no Brasil?


Referência bibliográfica:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_microcervejarias_no_Brasil
http://revistabeerart.com/news/2015/7/12/ambev
http://www.reuters.com/article/2015/07/07/us-ab-inbev-brazil-ambev-idUSKCN0PH1SZ20150707

sábado, 9 de maio de 2015

A Importância da Cerveja Local

No último Festival Brasileiro da Cerveja, acontecido em Blumenau no mês de março, participamos de algumas ações no stand do Beertone, como comentamos aqui. E foi lá que tivemos contato com alguns produtos com os dizeres: "Taste global, drink local" que, em tradução livre quer dizer: "Experimente globalmente, beba localmente".

Imagem: bebidaliberada.com.br


Taste global/drink local é um paralelo ao conceito mundialmente difundido que diz: "Think globally/Act locally" - Pense globalmente, aja localmente. Pensar globalmente e agir localmente aplica-se a uma grande variedade de contextos, como ecologia, negócios ou planejamento, mas como poderia funcionar para a cerveja?

Taste Global
É mais do que óbvio que se você quer conhecer mais sobre cerveja, ou sobre qualquer coisa que é produzida globalmente, você deverá provar de várias fontes diferentes. Falando especificamente de cerveja, os variados estilos são reflexo de tradições locais na produção da bebida. Existem, inclusive, variações de estilos tradicionais de acordo com características locais. Em suma, para entender de cerveja é imperativo conhecer cervejas do mundo todo e quanto maior a variedade, melhor.

Drink Local
À primeira vista, faz sentido apoiar as cervejarias locais, desenvolver a cena local e fomentar aquilo que tanto admiramos e tantas emoções nos proporciona. Prestigiar os produtores locais só traz vantagens para todos, pois possibilita o aumento de suas estruturas, a pulverização da rede de distribuição, todo mundo sai ganhando.

Mas eu gostaria de ir além e pensar no caráter da bebida e que influências isso poderia ter no consumo, por que outra razão você deveria beber cervejas locais? Pelo mesmo motivo que não é costumeiro beber leite importado. Assim como o leite, a cerveja é muito melhor quando está fresca e é por esta razão que você talvez nunca conheça realmente uma cerveja até que possa degustá-la diretamente "da teta da vaca".

Após pasteurizada, envasada, transportada, aquecida e resfriada, sua cerveja apresentará atenuação dos aromas de lúpulo, o dry hopping pode aparecer de maneira menos marcante, a carbonatação e o creme também serão afetados. Por exemplo, uma cerveja que, quando fresca, apresente um delicado aroma de pêssego, rapidamente pode perder esta característica, deixando mais evidentes aromas e sabores menos sutis. Isso é muito válido para IPAs e, principalmente, American IPAS, cervejas que se sustentam no amargor e frescor do lúpulo. Os sabores frutados e cítricos são os primeiros a desaparecerem na "evolução" da cerveja na garrafa.

Imagem:100hdwallpapers.com


É por isso que growlers são uma forma muito interessante de se beber cerveja, pois você terá a experiência mais próxima possível do fabricante; a cerveja fica pronta e vai direto para a sua boca. =)

Por essas e outras, acreditamos que a melhor cerveja que você poderá obter possivelmente será uma cerveja local, produzida recentemente e, de preferência, não pasteurizada. Vale também a nossa dica antiga: "É bom frequentar bares onde o chope tem mais saída. Bar vazio significa chope velho."

Além das vantagens de tomar a cerveja fresca, ao fomentar a indústria local você contribui com um efeito muito interessante: Chope local de altíssima qualidade sendo servido em bares e custando o mesmo ou menos do que Brahma ou Heineken. Somos prova disso e temos vários exemplos aqui em Curitiba.


A nós, cabe o papel de entender e executar o "Taste global/Drink local", só temos a ganhar com isso. Te vejo no São Francisco!


Image:etilicos.com



segunda-feira, 16 de março de 2015

"Cerveja boa é aquela que você gosta”, será? - Parte 2

Retomamos o assunto do gosto pessoal e da cerveja boa, que já foi discutido no texto: “Questão filosófica: “Cerveja boa é aquela que você gosta”, será?”. 

Imagem:canalhousebar.com


 Não há ponto final para este assunto, portanto, vamos adicionar alguns argumentos para acalorar ainda mais a discussão. De um lado, as cervejas de massa tentam dizer que cerveja boa é aquela que todo mundo toma, que tem em todos os bares, que sempre te acompanhou. Tem até uma cervejaria que se auto intitula “Boa”. Pode até estar certo, mas nós estamos em busca das cervejas ótimas, extraordinárias, aquelas que podem nos deixar de queixo caído, de cabelo em pé, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Como já citamos anteriormente, dizer que a cerveja boa é aquela que você gosta é tentar encerrar a conversa sem dar argumentos, já que o fato de uma cerveja ser boa, neste caso, está sujeito ao  seu gosto pessoal, ao momento ideal, à harmonização com a comida e, até mesmo, às suas companhias durante a degustação. Não há o que se discutir quando o assunto é gosto pessoal e satisfação.  Algumas cervejas ou alguns estilos são mais agradáveis ao paladar e mais adequados a determinadas situações. Além disso, também existe um fator chamado: "Amadurecimento do paladar cervejeiro".

 Diante do impasse, existe alguma chance de determinar se uma cerveja é boa ou ruim? Embora o movimento cervejeiro revolucionário se orgulhe de dizer que o principal objetivo destas cervejarias artesanais é obter o melhor resultado possível, utilizando-se para isso das melhores técnicas e dos melhores insumos, nem sempre isso acontece. Há muita cerveja estragada, infectada e com sérios defeitos sendo comercializada por aí. Sem contar aqueles bares que deixam o chope estragar ou se contaminar, em desacordo com as diretrizes citadas aqui.

 Sim, existem maneiras de julgar uma cerveja objetivamente e determinar se ela é boa ou ruim, ou pelo menos, se ela se enquadra devidamente em algum estilo. Para isto nasceu o BJCP – The Beer Judge Certification Program (Programa de Certificação de Juízes de Cerveja). O BJCP é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1985 nos Estados Unidos, com o objetivo de promover a alfabetização cervejeira e a apreciação da verdadeira cerveja, além de reconhecer as habilidades de degustação e avaliação de cervejas.

 Um dos trabalhos mais importantes do BJCP foi classificar e detalhar as características dos principais estilos de cerveja, permitindo assim, que uma cerveja possa ser avaliada através de critérios objetivos, que a enquadram ou a afastam do estilo proposto. O guia de estilos em português está disponível aqui. Também há um aplicativo para Android e Iphone chamado BJCP Style Guidelines.

Além de classificar os estilos, o BJCP certifica aquelas pessoas que gostariam de participar de concursos ou competições como juízes. Para isso, o candidato deverá se inscrever, ser aprovado em um teste online e participar de uma prova, em que ele avaliará seis cervejas para demonstrar sua capacidade de percepção e avaliação dos critérios determinados pelo BJCP.

Os candidatos que cumprirem satisfatoriamente com este programa receberão sua pontuação, integrarão um ranking de juízes e serão, certificadamente, juízes de cerveja.

Uma das principais ferramentas utilizadas no BJCP é a ficha de avaliação. Por si só, ela já é um guia para degustação e avaliação de cervejas. Ela está disponível aqui. Sugerimos inclusive a utilização destas fichas de avaliação quando você quiser brincar de degustar e avaliar cervejas em casa. Compare o seu resultado com o de seus companheiros e também com o estilo no guia BJCP.


 
Portanto, no que tange ao assunto da cerveja boa ou ruim, é possível avaliar e certificar uma cerveja. Já que não é possível agradar a todos, pelo menos é possível certificar que uma cerveja não apresenta defeitos e que apresenta as características necessárias e esperadas do estilo. Com uma coisa nós podemos contar: Se uma cerveja é bem pontuada em uma análise de juízes certificados no BJCP, você pode contar que ela é adequada ao estilo e não possui defeitos perceptíveis.

 A discussão sobre a “cerveja boa” não terá fim. Mas se você separá-las por estilos, comparando entre semelhantes, poderíamos dizer com alguma convicção: “Esta é uma boa IPA” ou “Esta é uma boa English Barley Wine”. O universo de estilos cervejeiros é muito vasto e apenas uma cerveja não irá agradar a todos. Devemos acabar com os preconceitos e aceitar cada uma delas, com suas características, defeitos e qualidades, sem mais buscar por aquela que será a salvadora universal dos paladares cervejeiros.

Referências:
http://en.wikipedia.org/wiki/Beer_Judge_Certification_Program
http://www.bjcp.org/  

quarta-feira, 4 de março de 2015

A rota cervejeira do, bom e velho, São Francisco

Olá pessoal! Temos o prazer de apresentar mais um post colaborativo, agora com nossos queridos amigos do Curitiba Lado B, representado pelo Sr. Victor Iannuzzi. Nesse texto exploramos uma das regiões mais queridas da boemia curitibana com muita cerveja amarga e sem frescura!!

Pra começar, uma frase do poeta curitibano Paulo Leminski, homenageado na logo do Curitiba Lado B: 

"O Rio é o mar. Curitiba, o bar".

O “boom” do consumo – e por que não, produção – das cervejas – e chopes – artesanais em Curitiba, nos últimos anos, é fato inconteste. O gosto local por outras cervejas, que não as “blockbusters” da indústria cervejeira, cresceu bastante, em questão de pouco tempo. Nessa pegada, houve, consequentemente, uma resposta comercial para a mudança, com a inauguração de diversas lojas, e casas especializadas em cervejas artesanais, além do incremento dos cardápios em inúmeros bares. E esse movimento pode ser identificado, até mesmo, numa das regiões boêmias mais tradicionais, e peculiares, da cidade.


Foto por: Monique Ribeiro 

Localizado entre os limites do Centro Cívico, das Mercês e do próprio centro de Curitiba, o bairro do São Francisco abriga ateliês, estúdios musicais, dentre outros espaços que o identificam como um reduto alternativo da cidade. E isso se reflete, por óbvio, nos bares situados na região, que juntamente do Largo da Ordem responde pelo chamado underground curitibano. Desde os locais destinados à música ao vivo, passando por “portinhas” mais discretas, e chegando aos mais antigos estabelecimentos da região, fato é que o São Francisco, e seus arredores, ofertam ao público da cidade diversas opções, quando a proposta é tomar uma, ou se divertir.

E frequentador do São Francisco que é, o Loucos Por Ales elaborou uma pequena rota dos bares locais, que possuem em ser cardápios opções de cerveja, e chope, artesanais. Vale destacar, porém, que certamente há muitos outros bares que, poderiam integrar essa lista – e é para isso que pedimos a sua ajuda nos comentários, onde poderão ser indicados, este ou aquele, lugares espertos a serem conhecidos no, bom e velho, São Francisco.

Foto por:Loucos por Ales
LADO B (Rua Inácio Lustosa nº 517)
Um dos bares mais queridos da região, o Lado B poderia, quem sabe, ser indicado como o nosso CBGB. Com um ambiente oitentista, e uma trilha sonora que conta com bandas punk, e pós-punk, o Lado B (que ainda conta com fliperama em suas instalações) oferece, em sua lista de bebidas, chopes da marca Way Beer.






Foto por: Harvest Folk Bar

HARVEST FOLK BAR (Rua Inácio Lustosa nº 518)
Levando o nome da obra prima de Neil Young, o Harvest ilustra suas paredes com diversos cartazes, e pôsteres, de ídolos da música folk, de bandas britânicas dos 60’s, e do eterno Ivo Rodrigues (saudoso vocalista da banda curitibana Blindagem). Os sanduíches que levam o nome de gente grande como Johnny Cash e Woody Guthrie, podem ser acompanhados pelas APA, IPA e Stout da linha Harvest Beer.




Foto por: Loucos por Ales
(Rua Inácio Lustosa nº 560)
Vizinho dos dois bares citados acima, o Rock The Casbah não vive só do clássico do Clash: mesas colocadas na calçada (um alento para os dias quentes da cidade) e capas de discos antológicos dão a letra do bar inaugurado há pouco tempo. Com uma proposta de unir o pop ocidental à cultura árabe (o David Bowie de burca, na entrada do w.c., explica um pouco disso), o Rock The Casbah conta em seu cardápio com garrafas da Colorado, e das locais Double Vienna e Diabólica.




Foto por: Loucos por Ales
CHORIPAN (Rua Tapajós nº 30)
Nas proximidades da esquina com a Manoel Ribas, o Choripan não poderia ser melhor lembrado do que pelo seu... Choripan. A iguaria argentina é a opção mais celebrada no cardápio, que, também, indica cervejas, e chopes, artesanais. Colorado, Wensky Bier, Bier Hoff, Cervejaria Nacional e Amazon Beer são algumas das marcas presentes ao bar.







Foto por: Loucos por Ales

BROOKLYN COFFEE SHOP (Rua Trajano Reis nº 389)
Um pedacinho de Nova York em Curitiba, o Brooklyn tem como seu principal cartão de visitas, obviamente, um cardápio que faz dele um dos coffee shops mais lembrados da cidade. Já em relação às opções etílicas da casa, há chope da Way e cervejas da própria Way, Bodebrown, Dum Morada e 2Cabeças.







Fonte: NextMag
BAR DA PRODUÇÃO (Rua Trajano Reis nº 335)
Conhecido pelas festas que geralmente promove, entre quinta-feira e sábado, o Bar Da Produção é o local onde, muitos simpatizantes da tropicália e do groove batem cartão, toda semana. Rótulos da nacional Eisenbahn podem ser apreciados no local.








Foto por: Loucos por Ales
LA SANTA (Rua Paula Gomes nº 485)
A cultura de beber, e comer, na calçada, muito adotada nas quadras do São Francisco, ganhou força com a chegada do La Santa. Nas pedidas da casa estão pratos, e petiscos, típicos da cozinha mexicana, que vão muito bem acompanhados dos chopes ali vendidos (APA, AmericanIPA, Avelã Porter), todos da Way. Em garrafas, o La Santa comercializa rótulos da Einsebahn e Wensky Bier.





Foto por: Chicken House
CHICKEN HOUSE (Rua Paulo Gomes nº 481)
Vizinho do La Santa, o Chicken House é outro estabelecimento responsável pela grande movimentação na esquina das ruas Paula Gomes e Trajano Reis. Como o próprio nome da casa indica, petiscos à base de frango são seu carro forte, e na parte de bebericar, além de cervejas convencionais e destilados, há o bom, e velho, chope artesanal, sujeito à consulta.






Foto por: Loucos por Ales
OLD’S PUB (Rua Paula Gomes nº 405)
O sobrado, cujos dois andares são destinados ao seu público frequentador, conta com o som vindo dos DVDs exibidos nos televisores, da discotecagem e das apresentações, que por vezes rolam, no segundo andar. As mesas de pebolim, e sinuca, são outras marcas registradas do local, que ainda conta com uma área outdoor, e chopes, das marcas Insana e Asgard, dentre as suas opções de bebidas.





Foto por: Villa Bambu
VILLA BAMBU (Rua Trajano Reis nº 58)
Localizado no espaço intermediário, entre o São Francisco e o Largo da Ordem, o Villa Bambu ganha seu público com música ao vivo de boa qualidade – geralmente em ritmos latinos, e tropicalistas. Comidinhas bacanas também integram o cardápio, cujo chope (geralmente Premium Lager e APA) da Way Beer é um dos destaques. Também é reduto de encontros do público cativo do Festival Psicodália.





Foto por: Loucos por Ales
Rock'a Burguer (Rua Trajano Reis, 310)
O famoso Rock'a já é tradicional pelos seus hambúrgueres, entre os mais saborosos e com melhores preços da cidade. Além das cervejas tradicionais, há boas opções de artesanais, como Diabólica e Colorado.








Foto por: Bar Dom Corleone

Bar Dom Corleone (Rua Inacio Lustosa, 367)
O Dom Corleone possui um ambiente um pouco mais formal do que a maior parte dos bares anteriormente mencionados, fugindo do tradicional “coma e beba na calçada”. A especialidade da casa são seus hambúrgueres, contando com 12 torneiras de chopes e mais de 150 rótulos de cervejas. É o bar mais completo da região no quesito variedade.




Foto por: Loucos por Ales
Quintal do Monge (Rua Claudino dos Santos, 24)
Localizado no coração do Largo da Ordem, quase em frente ao tradicionalíssimo Bar do Alemão, foi um dos primeiros bares da região a se especializarem em chopes artesanais. Possui uma câmara fria com uma janela, na qual é possível ver as belezinhas (barris) engatados num emaranhado de canos e válvulas que nos fazem questionar como aquilo chega na torneira certa. 


Foto por: Loucos por Ales
O Quintal conta com uma grande área externa para os dias mais quentes, cujas mesas têm vista para o centro do Largo da Ordem. Num dia de sol você pode passar a tarde apenas bebendo e apreciando o movimento da praça, famosa por juntar todos os tipos de bichos grilos e figuras típicas da capital paranaense, sem falar de possíveis intervenções culturais, tão comuns na região.




Foto por: Loucos por Ales
Fidel Bar (Av. Jaime Reis, 320)
Viva la revolucion! Como consta na fan page: “Com a intenção de fazer referencia a um imaginário revolucionário latino americano o Fidel Bar abriu as portas em 18 de maio de 2011”. Ao lado de um dos bares GBLT mais undergroud da cidade, Bar Code, o Fidel também convida a beber uma boa cerveja ao ar livre. Nas tarde de sol não é incomum encontrar uma velha radiola tocando imortais do samba como Adoniran Barbosa. Conta com rótulos como Baden Baden, Colorado e outras de Curitiba e arredores. (Complemento: o bar recentemente acrescentou novos rótulos de cervejas à sua carta)






Foto por: Negrita Bar
Negrita Bar (Rua São Francisco nº 50) 
Uma das gratas novidades da região o Negrita Bar movimenta a famosa Rua São Francisco (que, ao que tudo indica, deverá ser fechada para o trânsito de pedestres). Boas comidinhas (como pastéis empanados), drinks e chope (marcas a confirmar) abastecem o animado público do recinto "latino".








É isso aí, esperamos que tenham gostado e, mais uma vez, obrigado ao pessoal do Curitiba Lado B por esse trabalho!!


"Não tenho culpa cara, cada um tem a sua formação. A minha é essa e foda-se!" (Ivo Rodrigues)

 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Os 7 maiores mitos sobre bebida desmascarados


Você provavelmente já ouviu alguém comentar sobre a ressaca após misturar diferentes tipos de bebidas ou ainda sobre misturar bebidas destiladas e fermentadas.
Também existem aqueles que afirmam que determinada marca de cerveja ou tipo de bebida lhe causam uma ressaca mais intensa. Apesar de, muitas vezes vivenciarmos experiências que reforcem este tipo de crença, não há argumentos científicos que comprovem estas afirmações.  Segundo os cientistas, o que importa é a quantidade de álcool consumido e não a origem dele. 

Também existem estudos e teorias sobre o consumo de cervejas com leveduras vivas, que auxiliariam nosso corpo a metabolizar o álcool de maneira menos agressiva. Fato é, que a ressaca é o resultado de uma intoxicação causada pelo álcool e outras substâncias em nosso organismo. Portanto, é plausível que outros elementos podem influenciar a tornar esta intoxicação mais severa ou mais delicada. E nosso primeiro mito fala sobre isso:

1 - O tipo de bebida ingerida determina a ressaca no dia seguinte:



Existem numerosos estudos científicos comprovando que a quantidade e velocidade do consumo são os principais fatores sobre os efeitos da ressaca. 



2 - Sua barriga de cerveja é causada pela cerveja:



 Pelo menos, não apenas por cerveja. O álcool não causa aumento de peso. São as calorias as responsáveis pelo aumento de peso e acúmulo de gordura corporal. Sua dieta e exercício físico determinam sua forma física, e não o consumo de cerveja. Como já descrevemos no post Fatos curiosos sobre cerveja:  "Dependendo do estilo, um copo de 300ml de chope pode ter entre 100 e 120 calorias, o mesmo que um suco de laranja. Costumamos dizer que o consumo de grandes quantidades de cerveja e, principalmente, de petiscos é que pode prejudicar sua dieta."


3 - Colocar moedas na boca pode enganar o bafômetro:
Não. Nem chupar balas de menta, chicletes ou fumar cigarros. Estes são alguns metodos incorretamente difundidos para driblar o bafômetro, mas nenhum deles foi comprovado.

4 - Evite a ressaca. Mantenha-se bêbado: 
Infelizmente, ao beber mais álcool você evita que o seu corpo se recupere da intoxicação. Pode ser que os sintomas sejam diminuídos momentaneamente, mas não se engane, você só está prorrogando a ressaca.


5 - Absinto causa alucinações:


Não, não existe nenhum alucinógeno no absinto. As sensações que você vivencia são apenas efeito da elevada graduação alcoólica da bebida.


6 - Lembranças da noite passada:
Você pode até pensar que está se recordando, aos poucos, do que aconteceu e que foi apagado da sua memória pelo álcool. Estudos comprovam que qualquer recordação tardia após o apagão pode ser uma falsa memória. A menos que você assista a um vídeo ou veja fotos, nunca se lembrará do que o álcool te fez esquecer.


 7 - A primeira ida ao banheiro:
Temos a impressão de que, quando estamos bebendo, depois de irmos pela primeira vez ao banheiro, as visitas ao reservado se tornam cada vez mais frequentes. Isso é efeito da quantidade de líquido que ingerimos, e não guarda relação com o fato de segurarmos ou não a ida ao banheiro. A vontade vem quando temos líquido suficiente para expelir. Tendo o álcool características diuréticas, você terá necessidade de urinar, principalmente em se tratando de grandes quantidades de líquido.


8 (Bônus) - Uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor:
Sim, sim e sim! Uma cerveja te deixa mais desinibido, aumenta a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Acompanhe no Mega Curioso.
Texto retirado e adaptado de First to Know.

sábado, 23 de agosto de 2014

Quem disse que na praia não tem cerveja?

Quando viajamos à praia, é comum termos dificuldades em encontrar cervejas de qualidade; muitas vezes é difícil até de conquistar qualquer puro malte, que seja. Infelizmente, não podemos dizer que seus problemas acabaram, mas temos duas boas dicas para você:

1 - Na Ilha do Mel (PR): encontramos a cerveja Astral da Ilha, vendida na pousada homônima.


A pousada é responsável pela produção de 5 rótulos de estilos  diferentes: Pilsner, American IPA, Barley Wine,  Schwartzbier e Hefeweizen. No momento a única disponível era a Rainha do Verão, a Pilsner que, apesar de ter sido servida demasiadamente gelada, após alguns minutos começou a se revelar. Uma Pilsner levemente alaranjada, com cara de cerveja de panela; muito equilibrada e agradável. Uma cerveja leve em que os lúpulos aromáticos se fazem sutilmente presentes; refrescante, bem apropriada para a Ilha do Mel.








2 - Balneário Camboriú (SC): Empório Eldorado.

Fizemos nossa primeira visita ao Empório Eldorado e tivemos uma ótima impressão. O local é bem localizado (Av Brasil - 3290), tem uma boa seleção de cervejas, ambiente aconchegante, muito bem decorado, música de qualidade no violão e ótima comida.
Cerca de 6 chopes diferentes estavam disponíveis. Eles são servidos em porção única, half pint. Como exemplo, o chope Tupiniquim Double IPA nos custou R$10,90. Estavam à disposição, 6 diferentes rótulos da Tupiniquim e Schornstein. As cervejas custam um pouco mais caro que estamos acostumados, segundo o pessoal da casa, em razão dos impostos de SC.
Fomos muito bem atendidos no local, por pessoal qualificado, que entende de cerveja e sabe como lidar com os clientes, do iniciante ao entusiasta; sem preguiça, com muito boa vontade.




Pudemos provar dois pratos: Uma Bruschetta de lombo suíno com queijo, tomate e damasco e um Sanduíche caprese, com hamburguer, tomate, rúcula e queijo de búfala.

A escolha mais acertada foi a Bruschetta, que veio em porção honesta e custou aproximadamente R$15, com sabores esplêndidos, harmonizaria muito bem com uma Quadruppel.

O sanduíche caprese, apesar de não inspirar tamanha emoção, também é um bom prato; feito com carinho, com hamburguer de verdade e ingredientes de primeira.






Aparentemente as coisas estão mudando, as cervejas artesanais estão cada vez mais bem distribuídas, servidas e representadas; quem ganha somos nós, que podemos apreciar cervejas de qualidade em qualquer época do ano, na praia, na rua, na chuva, na fazenda, na ilha ou no continente.

Se você tem mais indicações, escreva para nós e faremos questão de conferir de perto!

                                                                                                                           


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