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segunda-feira, 16 de março de 2015

"Cerveja boa é aquela que você gosta”, será? - Parte 2

Retomamos o assunto do gosto pessoal e da cerveja boa, que já foi discutido no texto: “Questão filosófica: “Cerveja boa é aquela que você gosta”, será?”. 

Imagem:canalhousebar.com


 Não há ponto final para este assunto, portanto, vamos adicionar alguns argumentos para acalorar ainda mais a discussão. De um lado, as cervejas de massa tentam dizer que cerveja boa é aquela que todo mundo toma, que tem em todos os bares, que sempre te acompanhou. Tem até uma cervejaria que se auto intitula “Boa”. Pode até estar certo, mas nós estamos em busca das cervejas ótimas, extraordinárias, aquelas que podem nos deixar de queixo caído, de cabelo em pé, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Como já citamos anteriormente, dizer que a cerveja boa é aquela que você gosta é tentar encerrar a conversa sem dar argumentos, já que o fato de uma cerveja ser boa, neste caso, está sujeito ao  seu gosto pessoal, ao momento ideal, à harmonização com a comida e, até mesmo, às suas companhias durante a degustação. Não há o que se discutir quando o assunto é gosto pessoal e satisfação.  Algumas cervejas ou alguns estilos são mais agradáveis ao paladar e mais adequados a determinadas situações. Além disso, também existe um fator chamado: "Amadurecimento do paladar cervejeiro".

 Diante do impasse, existe alguma chance de determinar se uma cerveja é boa ou ruim? Embora o movimento cervejeiro revolucionário se orgulhe de dizer que o principal objetivo destas cervejarias artesanais é obter o melhor resultado possível, utilizando-se para isso das melhores técnicas e dos melhores insumos, nem sempre isso acontece. Há muita cerveja estragada, infectada e com sérios defeitos sendo comercializada por aí. Sem contar aqueles bares que deixam o chope estragar ou se contaminar, em desacordo com as diretrizes citadas aqui.

 Sim, existem maneiras de julgar uma cerveja objetivamente e determinar se ela é boa ou ruim, ou pelo menos, se ela se enquadra devidamente em algum estilo. Para isto nasceu o BJCP – The Beer Judge Certification Program (Programa de Certificação de Juízes de Cerveja). O BJCP é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1985 nos Estados Unidos, com o objetivo de promover a alfabetização cervejeira e a apreciação da verdadeira cerveja, além de reconhecer as habilidades de degustação e avaliação de cervejas.

 Um dos trabalhos mais importantes do BJCP foi classificar e detalhar as características dos principais estilos de cerveja, permitindo assim, que uma cerveja possa ser avaliada através de critérios objetivos, que a enquadram ou a afastam do estilo proposto. O guia de estilos em português está disponível aqui. Também há um aplicativo para Android e Iphone chamado BJCP Style Guidelines.

Além de classificar os estilos, o BJCP certifica aquelas pessoas que gostariam de participar de concursos ou competições como juízes. Para isso, o candidato deverá se inscrever, ser aprovado em um teste online e participar de uma prova, em que ele avaliará seis cervejas para demonstrar sua capacidade de percepção e avaliação dos critérios determinados pelo BJCP.

Os candidatos que cumprirem satisfatoriamente com este programa receberão sua pontuação, integrarão um ranking de juízes e serão, certificadamente, juízes de cerveja.

Uma das principais ferramentas utilizadas no BJCP é a ficha de avaliação. Por si só, ela já é um guia para degustação e avaliação de cervejas. Ela está disponível aqui. Sugerimos inclusive a utilização destas fichas de avaliação quando você quiser brincar de degustar e avaliar cervejas em casa. Compare o seu resultado com o de seus companheiros e também com o estilo no guia BJCP.


 
Portanto, no que tange ao assunto da cerveja boa ou ruim, é possível avaliar e certificar uma cerveja. Já que não é possível agradar a todos, pelo menos é possível certificar que uma cerveja não apresenta defeitos e que apresenta as características necessárias e esperadas do estilo. Com uma coisa nós podemos contar: Se uma cerveja é bem pontuada em uma análise de juízes certificados no BJCP, você pode contar que ela é adequada ao estilo e não possui defeitos perceptíveis.

 A discussão sobre a “cerveja boa” não terá fim. Mas se você separá-las por estilos, comparando entre semelhantes, poderíamos dizer com alguma convicção: “Esta é uma boa IPA” ou “Esta é uma boa English Barley Wine”. O universo de estilos cervejeiros é muito vasto e apenas uma cerveja não irá agradar a todos. Devemos acabar com os preconceitos e aceitar cada uma delas, com suas características, defeitos e qualidades, sem mais buscar por aquela que será a salvadora universal dos paladares cervejeiros.

Referências:
http://en.wikipedia.org/wiki/Beer_Judge_Certification_Program
http://www.bjcp.org/  

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cerveja cara, um desperdício de dinheiro?



A prática de testes cegos revolucionou o mundo dos vinhos, pois desbancou muitos mitos sobre países fabricantes, tipos de uvas e, principalmente, preço dos vinhos.
Existem muitas histórias curiosas sobre o assunto, separamos duas para contextualizar nosso post; elas estão disponíveis no Business Insider e no blog do enófilo Carlos Cabral. Em suma, quando colocados à prova, os vinhos sempre guardam surpresas na relação custo x benefício. 


Partindo deste ponto, iniciamos a seguinte reflexão: Será que estamos desperdiçando dinheiro com cervejas mais caras? A partir deste questionamento, realizamos nossos próprios testes cegos e também nos embasamos em testes de colegas para afirmar: "Não, as cervejas não são todas iguais."



A cerveja, como fruto de, pelo menos, quatro ingredientes, possui variações que não são possíveis no mundo dos vinhos. O resultado disso é uma infinidade de sabores e aromas que muito diferem estilos e rótulos entre si. Apesar das diferenças, assim como no universo do vinho, existem boas cervejas a bons preços, o que quer dizer que você pode conhecer muitos estilos sem quebrar seu orçamento.

Por que uma cerveja custa mais caro?

Cervejas que custam acima de setenta reais, geralmente passam por um processo mais delicado, trabalhoso ou demorado de fabricação ou utilizam ingredientes mais caros e mais raros. Como exemplo podemos citar a cerveja DeuS, que é fabricada na Bélgica e passa por um processo de refermentação na garrafa, na França, para então ser novamente engarrafada e ir às prateleiras. Também podemos citar cervejas envelhecidas em barris de Whiskey, como tem feito a cervejaria curitibana Bodebrown. A escocesa Brewdog é campeã na esquisitisse dos métodos de fabricação ao fabricar cervejas que são congeladas para extrair a água e amplificar o sabor e a carga alcoólica; exemplos desta técnica são a Brewdog Tactical Nuclear Penguin e a Sink the Bismarck.

Imagem: Brewdog Tactial Nuclear Penguin


E o resultado?

Podemos afirmar, sem medo de errar, que ao comprar uma cerveja como as citadas acima, você certamente está pagando pela experiência de provar uma cerveja peculiar, resultado de um processo mais cuidadoso ou de ingredientes mais selecionados ou incomuns. Assim como quando se compra o vinho raro, envelhecido ou de casta nobre oriunda de safra reconhecida, o importante é ter a experiência de provar algo incomum ou único, diferente daquilo que estamos acostumados; além de saber da origem e imaginar que aqueles grãos ou aquelas uvas tiveram uma história ou fizeram longas viagens antes de chegar até você.

Isso quer dizer que, indiscutivelmente, melhores ingredientes e mais cuidado no preparo terão resultado no produto final e que o preço tem relação com a qualidade e com a sua satisfação.

Então, quanto mais caro melhor?

Não necessariamente. Quando falamos de cervejas entre 10 e 35 reais, existe um universo de sabores disponíveis, e é muito fácil encontrar cervejas por cerca de dez reais que são muito melhores ou mais agradáveis que cervejas de R$20 ou R$30. Portanto, vale a pena provar tudo o que estiver ao seu alcance para tentar encontrar estas pérolas, que assim como vinhos, podem ser mais acessíveis do que se imagina. Se você quiser algumas dicas, confira nossas 11 cervejas para tomar com até 11 Reais.

Portanto, em resumo, cervejas que custam até R$40 normalmente não terão características de cervejas únicas, que custam mais de R$70 ou R$100, mas você poderá encontrar algo que te agrade sem desagradar o seu bolso. E quando sobrar uma graninha, invista em algo diferente e desfrute de uma experiência única.

Imagem: Hominilupulo


Ficou curioso? Veja um teste cego realizado pelo site Brejas clicando aqui.



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