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sábado, 9 de maio de 2015

A Importância da Cerveja Local

No último Festival Brasileiro da Cerveja, acontecido em Blumenau no mês de março, participamos de algumas ações no stand do Beertone, como comentamos aqui. E foi lá que tivemos contato com alguns produtos com os dizeres: "Taste global, drink local" que, em tradução livre quer dizer: "Experimente globalmente, beba localmente".

Imagem: bebidaliberada.com.br


Taste global/drink local é um paralelo ao conceito mundialmente difundido que diz: "Think globally/Act locally" - Pense globalmente, aja localmente. Pensar globalmente e agir localmente aplica-se a uma grande variedade de contextos, como ecologia, negócios ou planejamento, mas como poderia funcionar para a cerveja?

Taste Global
É mais do que óbvio que se você quer conhecer mais sobre cerveja, ou sobre qualquer coisa que é produzida globalmente, você deverá provar de várias fontes diferentes. Falando especificamente de cerveja, os variados estilos são reflexo de tradições locais na produção da bebida. Existem, inclusive, variações de estilos tradicionais de acordo com características locais. Em suma, para entender de cerveja é imperativo conhecer cervejas do mundo todo e quanto maior a variedade, melhor.

Drink Local
À primeira vista, faz sentido apoiar as cervejarias locais, desenvolver a cena local e fomentar aquilo que tanto admiramos e tantas emoções nos proporciona. Prestigiar os produtores locais só traz vantagens para todos, pois possibilita o aumento de suas estruturas, a pulverização da rede de distribuição, todo mundo sai ganhando.

Mas eu gostaria de ir além e pensar no caráter da bebida e que influências isso poderia ter no consumo, por que outra razão você deveria beber cervejas locais? Pelo mesmo motivo que não é costumeiro beber leite importado. Assim como o leite, a cerveja é muito melhor quando está fresca e é por esta razão que você talvez nunca conheça realmente uma cerveja até que possa degustá-la diretamente "da teta da vaca".

Após pasteurizada, envasada, transportada, aquecida e resfriada, sua cerveja apresentará atenuação dos aromas de lúpulo, o dry hopping pode aparecer de maneira menos marcante, a carbonatação e o creme também serão afetados. Por exemplo, uma cerveja que, quando fresca, apresente um delicado aroma de pêssego, rapidamente pode perder esta característica, deixando mais evidentes aromas e sabores menos sutis. Isso é muito válido para IPAs e, principalmente, American IPAS, cervejas que se sustentam no amargor e frescor do lúpulo. Os sabores frutados e cítricos são os primeiros a desaparecerem na "evolução" da cerveja na garrafa.

Imagem:100hdwallpapers.com


É por isso que growlers são uma forma muito interessante de se beber cerveja, pois você terá a experiência mais próxima possível do fabricante; a cerveja fica pronta e vai direto para a sua boca. =)

Por essas e outras, acreditamos que a melhor cerveja que você poderá obter possivelmente será uma cerveja local, produzida recentemente e, de preferência, não pasteurizada. Vale também a nossa dica antiga: "É bom frequentar bares onde o chope tem mais saída. Bar vazio significa chope velho."

Além das vantagens de tomar a cerveja fresca, ao fomentar a indústria local você contribui com um efeito muito interessante: Chope local de altíssima qualidade sendo servido em bares e custando o mesmo ou menos do que Brahma ou Heineken. Somos prova disso e temos vários exemplos aqui em Curitiba.


A nós, cabe o papel de entender e executar o "Taste global/Drink local", só temos a ganhar com isso. Te vejo no São Francisco!


Image:etilicos.com



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cerveja cara, um desperdício de dinheiro?



A prática de testes cegos revolucionou o mundo dos vinhos, pois desbancou muitos mitos sobre países fabricantes, tipos de uvas e, principalmente, preço dos vinhos.
Existem muitas histórias curiosas sobre o assunto, separamos duas para contextualizar nosso post; elas estão disponíveis no Business Insider e no blog do enófilo Carlos Cabral. Em suma, quando colocados à prova, os vinhos sempre guardam surpresas na relação custo x benefício. 


Partindo deste ponto, iniciamos a seguinte reflexão: Será que estamos desperdiçando dinheiro com cervejas mais caras? A partir deste questionamento, realizamos nossos próprios testes cegos e também nos embasamos em testes de colegas para afirmar: "Não, as cervejas não são todas iguais."



A cerveja, como fruto de, pelo menos, quatro ingredientes, possui variações que não são possíveis no mundo dos vinhos. O resultado disso é uma infinidade de sabores e aromas que muito diferem estilos e rótulos entre si. Apesar das diferenças, assim como no universo do vinho, existem boas cervejas a bons preços, o que quer dizer que você pode conhecer muitos estilos sem quebrar seu orçamento.

Por que uma cerveja custa mais caro?

Cervejas que custam acima de setenta reais, geralmente passam por um processo mais delicado, trabalhoso ou demorado de fabricação ou utilizam ingredientes mais caros e mais raros. Como exemplo podemos citar a cerveja DeuS, que é fabricada na Bélgica e passa por um processo de refermentação na garrafa, na França, para então ser novamente engarrafada e ir às prateleiras. Também podemos citar cervejas envelhecidas em barris de Whiskey, como tem feito a cervejaria curitibana Bodebrown. A escocesa Brewdog é campeã na esquisitisse dos métodos de fabricação ao fabricar cervejas que são congeladas para extrair a água e amplificar o sabor e a carga alcoólica; exemplos desta técnica são a Brewdog Tactical Nuclear Penguin e a Sink the Bismarck.

Imagem: Brewdog Tactial Nuclear Penguin


E o resultado?

Podemos afirmar, sem medo de errar, que ao comprar uma cerveja como as citadas acima, você certamente está pagando pela experiência de provar uma cerveja peculiar, resultado de um processo mais cuidadoso ou de ingredientes mais selecionados ou incomuns. Assim como quando se compra o vinho raro, envelhecido ou de casta nobre oriunda de safra reconhecida, o importante é ter a experiência de provar algo incomum ou único, diferente daquilo que estamos acostumados; além de saber da origem e imaginar que aqueles grãos ou aquelas uvas tiveram uma história ou fizeram longas viagens antes de chegar até você.

Isso quer dizer que, indiscutivelmente, melhores ingredientes e mais cuidado no preparo terão resultado no produto final e que o preço tem relação com a qualidade e com a sua satisfação.

Então, quanto mais caro melhor?

Não necessariamente. Quando falamos de cervejas entre 10 e 35 reais, existe um universo de sabores disponíveis, e é muito fácil encontrar cervejas por cerca de dez reais que são muito melhores ou mais agradáveis que cervejas de R$20 ou R$30. Portanto, vale a pena provar tudo o que estiver ao seu alcance para tentar encontrar estas pérolas, que assim como vinhos, podem ser mais acessíveis do que se imagina. Se você quiser algumas dicas, confira nossas 11 cervejas para tomar com até 11 Reais.

Portanto, em resumo, cervejas que custam até R$40 normalmente não terão características de cervejas únicas, que custam mais de R$70 ou R$100, mas você poderá encontrar algo que te agrade sem desagradar o seu bolso. E quando sobrar uma graninha, invista em algo diferente e desfrute de uma experiência única.

Imagem: Hominilupulo


Ficou curioso? Veja um teste cego realizado pelo site Brejas clicando aqui.



segunda-feira, 29 de julho de 2013

La bella Italia - Por Fernanda Zacarias

Neste post, recebemos com muita honra a contribuição internacional da Chef Fernanda Zacarias, do blog Alma Gulosa:
"Nosso querido padrinho Daniel me convidou para escrever um pouco sobre cervejas italianas.
Fiquei super honrada com o convite, mas confesso que por medo de escrever abobrinha, fui atrás de informações confiáveis para os leitores do "Loucos por Ales" e esse post demorou muito mais do que o esperado.
Inicialmente, resolvi contactar alguns birrificios italianos na região da Pianura Padana para marcar uma visita e aprender sobre os métodos italianos de produção de cerveja.
Por incrível que pareça, todos os birrificios contactados negaram uma visita! Alguns alegaram que não possuem “estrutura” para a recepção de visitantes, enquanto outros não esconderam que querem manter em segredo a sua receita.
Confesso que fiquei um pouco surpresa com a negativa das visitas, tendo em vista que geralmente os italianos são orgulhosíssimos de seus produtos e amam exibi-los para o mundo!
Sem sucesso, fui em busca de um entendedor do assunto e conheci um dos bons!
Peguei um trem para Bologna para conhecer Marco Degli Espositi e sua Birroteca La Tana del Luppolo.
Tana Del Luppolo
A Tana comporta mais ou menos 300 rótulos de cervejas europeias (em especial belgas e alemãs) e 6 variedades "alla spina”, que são aquelas servidas como chopp, direto do "barril".
No espaço também são oferecidos aperitivos e pratos simples para acompanhar a degustação.
Marco e sua esposa Camila trabalham juntos nesse espaço imperdível para quem gosta de cerveja. Típico italiano, ele se irrita “um pouco” quando um cliente pede uma Poretti, Moretti ou Nastro Azurro. Compreensível!

Tendo em vista sua paixão por cervejas artesanais de máxima qualidade, Marco trabalha com paixão para servir a melhor gelada aos clientes e, pelo que percebi, com o avançar das horas tornam-se todos amigos!
Se você é marinheiro de primeira viagem, ele te faz umas cinco perguntas antes de sugerir um dos rótulos. 
Questionei como andava a produção de cervejas artesanais na Itália e se, assim como no Brasil, ele sentia que as pessoas estão descobrindo que a cerveja pode ser uma companheira da boa mesa assim como o vinho.
Muito honesto, Marco disse que a produção na Itália ainda patina bastante. Existem bons produtos, mas competir com a qualidade e preço das belgas e alemãs ainda é muito difícil. 
Quanto à segunda pergunta, ele disse que o grande problema é que as pessoas acham que entendem de cerveja, mas no fundo ainda trata-se de uma bebida que está ligada à quantidade e preço baixo, motivo pelo qual tem gente que paga 30 Euros em uma garrafa somente pelo status sem saber sequer apreciar o que está bebendo.
Finalmente, pedi que ele sugerisse 3 rótulos italianos de degustação obrigatória.



Seleção de cervejas italianas
E a seleção foi realmente espetacular (da esquerda para a direita):
TIPOPILS – Birrificio Italiano – Seca, amarga, forte aroma de lúpulo. Segundo informações constantes no rótulo, em tradução livre: “Poderia parecer a mais normal de nossas cervejas, mas é ela que deixa mais a nossa marca, que se faz apaixonar. Sussurra histórias dos campos de cevada, jardins de lúpulo e entrega intacta a quinta essência de seus perfumes. Cerveja clara, 5.2% vol. alcool. Produzida com lúpulo selecionado dos melhores cultivadores da zona de Tettnang, Alemanha”.
LOM BIRRA CRUDA MARRON BUONO DI MARRADI – Birra Cajun – Cerveja escura produzida com malte de cevada e “Marron Buono” di Marradi, uma espécie de avelã cultivada na região de Firenze. Muuuuito aromática, é uma cerveja bem especial. Segundo informações do rótulo, em tradução livre:  “Marron Buono di Marradi está disponível durante todo o ano, salvo quando  toda o estoque é consumido. A LOM  é feita com “marron” congelado, que é secado e tostado manualmente. A cerveja possui notas que lembram morango e damasco, com retrogosto de tostado devido à leve tostadura da castanha à chama viva”.
32 NEBRA –  De coloração clara, é a cerveja TOP do Birrifico 32, um dos mais conhecidos e respeitados da Itália. Conforme informações do rótulo, em tradução livre: “É clara, compacta e persistente, delicada com fina perlage. Possui aroma de flores brancas, caramelo e toques sutis de especiarias. Sabor delicado. 8% vol. alcool (uhuuuu). Temperatura de serviço 8 a 10 °C”.
Adorei conhecer as 3, mas a TIPOPILS do Birrificio Italiano foi a minha preferida, porque eu gosto de cerveja sem frescura e com gosto de cerveja!!!
De qualquer maneira, se uma passada pela Itália está nos seus planos, não perca a oportunidade de experimentar essas belezinhas.
Como o meu negócio é “mangiare”, eu acho que cerveja combina sempre com comida tranquila, aquela bem boa que a gente reparte com os mais queridos...  (com exceção de Guiness com ostra.. já provaram? É perfeito!)
Sendo assim, sugiro acompanhar com a sua cerveja umas belas fatias de porchetta, mortadella, prosciutto cruddo, parmiggiano, focaccia bianca ou alla genovese... o momento também pede uma pizza al taglio e arrancino.
Procure acomodar-se em alguma escadaria medieval ou renascentista, de preferência de frente para alguma praça para iniciar os trabalhos.
A Itália é assim. Irritantemente apaixonante!"
Agradeço novamente à Fernanda pela contribuição, quem quiser viajar mais pela Itália e pela gastronomia pode visitar o blog Alma Gulosa.

Mais fotos:




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