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quarta-feira, 8 de junho de 2016

A maneira mais simples de fazer cerveja em casa (sem equipamentos).

Faça cerveja em casa



Se você, apreciador de cervejas artesanais, sempre teve vontade de fazer a sua própria cerveja mas não faz por que acha que precisa de uma montanha de equipamentos, saiba que existe alternativa. O objetivo deste texto é incentivar a produção artesanal de maneira simples, como um empurrão para o iniciante tirar o sonho de cervejeiro caseiro do papel.
A resposta à pergunta que não quer calar: posso fazer cerveja sem investir nada? Não. Mas é possível começar gastando quase nada, assim você sente o gostinho e decide se quer partir para uma produção mais dedicada ou se vai manter apenas como brincadeira de fim de semana. Vamos explicar da forma mais sucinta possível o processo, sem nos atermos aos detalhes e nomes técnicos de cada etapa com o objetivo de obter cerveja com o mínimo de equipamento possível. Queremos aqui difundir a informação de que o processo de fabricação artesanal de cervejas, apesar de trabalhoso, pode ser muito simples.

Qual será o resultado final? Vou ganhar uma medalha com a minha cerveja? Minha cerveja vai ficar boa? A maior falha desta forma de fazer cerveja está no processo fermentação, pois não há controle de temperatura, o que pode comprometer seriamente o resultado final, principalmente se houver muita variação na temperatura. Para evitar maiores problemas, o ideal é escolher um local da sua casa com temperatura ambiente amena (próxima de 18°C ) e com pouca variação nesta temperatura. Se você tiver um porão em casa, bingo, é lá que você vai fermentar a sua cerveja.
Como você não irá utilizar um densímetro, para acompanhar a densidade específica do seu mosto e o resultado final, você não saberá qual a graduação alcoólica exata da sua cerveja. A graduação alcoólica estimada desta receita é 5,5%, amargor aproximado de 44 IBUs e coloração 8 SRM.

Materiais necessários:


- Termômetro (para medir água até aproximadamente 70° C).
- 1 m² de tecido tipo Voil.
- Cooler ou caixa térmica que comporte duas vezes a medida da sua receita.
- Panela que comporte a medida da sua receita com folga (para evitar que transborde durante a fervura).

Como funciona o processo?

 Fazer cerveja é fermentar os açúcares do malte. Portanto, precisamos extrair os açúcares do malte para formar o líquido fermentável (mosto). O mosto será fervido por 60 minutos, adicionado de lúpulo e, ao fim, fermentado por leveduras. Após a fermentação, a cerveja precisa ser carbonatada antes do consumo. 

Insumos:


Como exemplo, utilizaremos uma receita simples de American Pale Ale, que leva:
 - 1 Kg de malte Pilsen (moído); 
 - 200g de malte Pale (moído);
 - 100g de malte Caramunich (moído);
 - 50g lúpulo Citra;
 - 1 pacote Levedura Fermentis Safale US05;
 - 10 litros de água mineral. (a embalagem será utilizada na fermentação);
 - 1 litro de álcool 70% (para sanitização);
 - 3kg de gelo (para resfriar o mosto).

Como você vai utilizar o malte moído e não tem um moedor em casa, solicite à loja de insumos que moa o malte para você. A maioria destas lojas entrega o malte moído e na quantidade certa sem cobrar a mais por isso.

A primeira e mais importante regra é limpeza e sanitização. Tudo o que for tocar a sua cerveja precisa estar absolutamente limpo. E tudo o que for tocar sua cerveja após a fervura precisa ser sanitizado. Se você não cuidar da limpeza e sanitização, pode ter que jogar tudo fora. Entendeu?
Para sanitizar uma superfície ou um equipamento, será necessário mantê-lo em contato com álcool 70% durante 10 minutos. Você pode utilizar papel toalha ou um borrifador para auxiliá-lo no processo. Cuidado com restos de álcool na sanitização de garrafas para não influenciar no sabor da cerveja.

Portanto, a partir de agora assumiremos que todos os seus materiais estarão limpos e/ou sanitizados:

Primeira Etapa - Mash


Coloque o voil dentro do seu cooler ou caixa térmica, de maneira a formar uma bolsa, prendendo nas bordas (você pode usar barbante, por exemplo) para que se possa adicionar água, os grãos e depois retirar tudo antes da fervura.

Cooler com Voil
Imagem: goldilockshomebrewing.com


 Aqueça 5 litros de água até 75°C  e adicione ao cooler. Adicione os grãos moídos, mexa bem e faça com que a temperatura chegue a 68ºC (adicionando pequenas quantidades de água quente ou fria). Esta temperatura deverá ser mantida durante 60 minutos. Você deverá adicionar mais 2 litros de água para manter a temperatura durante este período, chegando a 7 litros totais ao fim desta etapa.

Feche o saco e utilize-o para retirar os grãos do cooler; aguarde até que o líquido do saco escorra (você pode torcer o saco de grãos para acelerar o processo, mas não exagere).

Transfira o mosto do cooler para a sua panela, onde irá acontecer a fervura.

Segunda Etapa - Fervura


Ligue fogo forte e aguarde iniciar a fervura. Se a panela for larga o suficiente, ligue duas bocas do fogão. O mosto deverá ferver por 30 minutos.

Observações:
A fervura deverá ocorrer com a panela aberta (destampada);
Cuidado ao adicionar o lúpulo, a fervura pode subir quando você fizer isso.

Utilize um timer regressivo para contar o tempo de fervura, iniciando em 30 minutos quando o liquido começar a borbulhar intensamente.

Faltando 20 minutos para o fim da fervura, adicione cerca de 1/5 do lúpulo (10g).
Faltando 10 minutos para o fim da fervura, adicione 1/3 do lúpulo restante(13g).
Ao fim da fervura, adicione o restante do lúpulo e desligue o fogo.


Agora você deverá tentar manter a panela fechada sempre que possível (lembre-se que após a fervura o mosto fica suscetível a contaminação por leveduras e bactérias presentes no ar) e resfriar o mosto até a temperatura de 30°C (sanitize o termômetro para medir).
Quanto mais rápido o mosto for resfriado, melhor. Para resfriar mais rapidamente, você poderá utilizar um banho maria com água gelada. Você pode encher a pia da cozinha com gelo e água e colocar a panela, mexendo com uma colher sanitizada, até atingir a temperatura desejada.

Terceira Etapa - Fermentação


Transfira o mosto para a embalagem da água (galão plástico sanitizado), feche e aguarde o mosto resfriar até a temperatura ambiente (é possível acelerar o processo na geladeira ou freezer).
Agite o mosto por 5 minutos para incorporar oxigênio.
Adicione a levedura.

 Durante o processo de fermentação a levedura irá converter os açúcares do mosto em álcool e gás carbônico.  Para evitar que o gás carbônico liberado na fermentação exploda o fermentador, nós precisamos de uma maneira de permitir que o gás seja liberado sem que ocorra entrada de ar e contaminação externa. Para isso, o ideal é utilizar um válvula do tipo Airlock, que fica cheia de água e cumpre com esta função. Entretanto, caso não queira investir na airlock, você poderá utilizar uma bexiga no lugar da tampa do seu fermentador. Faça alguns furos na bexiga com um alfinete de forma que a pressão criada no interior do fermentador possa sair, sem, entretanto, permitir a entrada de ar e possível contaminação do mosto. 
Mantenha seu fermentador em local fresco (18°C é o ideal) e abrigado da luz por 15 dias. 

Ao fim dos 15 dias, sua fermentação já deverá estar bem estabilizada, a levedura deve ter floculado e se depositado no fundo do fermentador.

Caso seja possível deixar o seu fermentador na geladeira, na posição horizontal, por alguns dias (10 dias seria o ideal) antes de engarrafar, o frio irá ajudar a cerveja a maturar e a sedimentar a levedura.

Engarrafamento e Priming

Nossa cerveja está quase pronta, falta apenas o gás!

Com cuidado para não movimentar a levedura que está no fundo, transfira a cerveja para garrafas PET sanitizadas (As de refrigerante e água com gás são as mais resistentes). Evite ao máximo o contato da cerveja com o oxigênio. Tente realizar o processo sem fazer splash. É possível minimizar o contato com oxigênio utilizando um sifão e uma mangueira sanitizada conectada a ele, deixando que a cerveja seja encha a garrafa de baixo para cima, empurrando o oxigênio para fora.

Como o CO2 gerado durante a fermentação não pode ser retido na cerveja, forçamos para que ocorra um pouco mais de fermentação dentro da garrafa fechada para que a cerveja incorpore o gás. Para isso, adicionaremos açúcar para reativar a fermentação dentro da garrafa.
Adicione 6g de açúcar por litro de cerveja. Em caso de dúvida na quantidade de açúcar, você pode usar aqueles envelopes de açúcar que são usados em restaurantes e cafeterias. Alguns vem com exatos 6g.


Mantenha a garrafa de cerveja bem fechada, em temperatura ambiente (idealmente entre 14 e 18°C), abrigada de luz direta, e aguarde de 7 a 15 dias até que a cerveja esteja carbonatada. 
Resfrie por 12h ou mais e aprecie sua criação.

Caso você esteja inseguro sobre algum passo ou tenha alguma dúvida, entre em contato comigo pelo e-mail daniel@loucosporales.com.br e eu vou tentar esclarecer. Suas dúvidas ou sugestões serão usadas como base para atualização deste texto.

Se fizer sua cerveja em casa e gostar da brincadeira, você pode se associar à Acerva, Associação dos Cervejeiros Artesanais. Sempre tem muita gente bacana trocando conhecimento e experiências sobre o assunto, além, é claro, de beber ótimas cervejas. Este é o site da Acerva Paranaense: http://acervapr.com.br/

Nos conte dos seus resultados na caixa de comentários aqui em baixo, ficarei muito feliz em saber como ficou a sua cerveja.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Independência cervejeira da Escócia.

Assunto muito comentado recentemente, o referendo realizado na Escócia sobre a independência do país do Reino Unido também guarda relação com questões do universo cervejeiro.



Disputas e discussões entre países vizinhos, com culturas distintas, usualmente levam em consideração, além de guerras e a história em si, questões gastronômicas. Países com clima frio têm as bebidas alcoólicas muito arraigadas em sua tradição, o que acalora ainda mais este tipo de discussão. Afinal, se o fato dos escoceses andarem com os joelhos de fora no inverno, com temperaturas congelantes, não for suficiente para justificar uma boa dosagem de álcool no sangue, não sei o que mais justificaria. Todavia, na tradição do Reino Unido existe a ideia de que, acima da fronteira norte da Inglaterra, só se vive de Whisky. E isso não é verdade. Prova disso é o nosso próprio Blog, cuja primeira postagem trata, justamente, de uma cerveja escocesa, a Williams Red Ale, além de tantas outras vezes em que a Brewdog apareceu por aqui.

A Escócia tem tradição em fabricar cervejas de alta fermentação com elevada carga de malte e presença mais tímida de lúpulos, o que deu origem ao estilo Scottish Ale, também fabricado com maestria pela Bodebrown, de Curitiba.

De um lado a Inglaterra com suas Pale Ales, suas India Pale Ales. Do outro, a Escócia com as Scotish Ales (e com a Brewdog, é claro).

Neste embate, nós é que saímos ganhando e podemos experimentar todos esses estilos. E, em especial aqui nas Américas podemos desfrutar do mix desses estilos em várias cervejas, podendo encontrar uma Scotish Ale mais lupulada ou uma India Pale Ale com cacau e tudo mais o que a imaginação dos nossos cervejeiros alcançar.

Nesta disputa você fica com quem? Brewdog Punk IPA ou Fullers London Pride?

segunda-feira, 31 de março de 2014

33 fatos curiosos sobre chope e cerveja.



Você se considera letrado em cervejas e chopes ou ainda está ingressando no mundo das cervejas artesanais? Encontramos este material rodando na internet e aprimoramos um pouco o conteúdo, que tem autoria desconhecida.

 Seguem aqui 33 fatos sobre chope que você sempre quis saber mas tem vergonha de perguntar:

 

01-De onde vem a palavra chope?


Chope vem do alemão Schoppen e é uma medida de volume. Com o tempo, a palavra passou a designar a bebida.


02-Quanto mais gelado melhor o chope?

Chope muito gelado  (0°C) pode diminuir a capacidade sensorial das papilas gustativas, inibe a liberação de aromas e a percepção de sabores.

03-Então, qual a temperatura ideal?

A temperatura ideal varia de acordo com o estilo do Chope. O mais comum é que sejam servidos entre 4 e 6º C.

04-Como tirar um bom chope?

Primeiro aproxima-se o copo levemente inclinado a 2 cm de distância da torneira. Quando o líquido chega ao meio, o copo deve  voltar à posição vertical. Finalmente, com o copo quase cheio, gira-se a torneira para uma posição que só permite a passagem da espuma. Qualquer um aprende depois de três tentativas. O bom tirador faz isso centenas de vezes numa noite e com rapidez.


05-Chope estraga?

Sim. A bebida oxida muito facilmente. Um barril de chope de estilo mais delicado tem prazo de validade de 10 dias quando corretamente armazenado em câmara fria. Já uma garrafa, por ser pasteurizada, dura aproximadamente de 6 meses a 1 ano. É claro que existem estilos que possuem validade indeterminada (cervejas de guarda)

Por isso é bom frequentar bares onde o chope tem mais saída. Bar vazio significa chope velho.

06-Do que é feito o chope?

Os ingredientes são água tratada, malte (que é feito da cevada, trigo ou centeio), lúpulo (uma trepadeira que confere amargor à bebida) e levedura (para fermentação). Algumas cervejas também levam especiarias, frutas ou outros elementos como cacau e aveia.

07-Qual a diferença entre chope e cerveja?

Os ingredientes são os mesmos. No entanto, a cerveja passa pelo processo de pasteurização, para que seja conservada por mais tempo.

08-Chope é mais leve que cerveja?

Não. Por ser mais fresco, a pessoa tem a impressão de que o chope é mais leve. Mas a fórmula é a mesma.



09-Quantos quilos de malte são precisos para se fazer 1 litro de cerveja?

Diferentes receitas e diferentes estilos levam diferentes quantidades de malte em sua fabricação e esta diferença pode ser de até 10x entre uma receita e outra.


10-O que é a cerveja artesanal?

Para muitos é difícil definir o que é uma cerveja artesanal, entretanto podemos dizer que é a cerveja produzida sempre em busca da qualidade máxima. Cervejas de grandes indústrias podem conter cereais não malteados ou conservantes, que são elementos adicionados para baratear ou melhorar as condições comerciais da cerveja. Já as cervejas artesanais são fabricadas com insumos de alta qualidade e processos rigorosos com intuito de obter o melhor produto final.


11-Qual o tamanho ideal do colarinho?

Cada estilo de cerveja possui formação característica de creme. Em geral, pode-se considerar cerca de 2 a 3cm de colarinho como suficientes.

12-Por que se deve beber com colarinho?

A espuma do colarinho é essencial para manter a carbonatação (gás).  Ela protege a bebida do contato com o oxigênio, que pode fazer o chope perder suas características.
A  espuma também tem papel importante na manutenção da temperatura ideal da cerveja.


13-Chope dá barriga?
    
Dependendo do estilo, um copo de 300ml de chope pode ter entre 100 e 120 calorias, o mesmo que um suco de laranja. Costumamos dizer que o consumo de grandes quantidades de cerveja e, principalmente, de petiscos é que pode prejudicar sua dieta.


14-Qual a diferença do chope claro para o escuro?

 A coloração da cerveja deve-se, principalmente, ao tipo de malte utilizado. Qualidades de malte com mais torrefação conferem cor mais escura à cerveja. A cor da cerveja não tem ligação direta com seu sabor. Existem cervejas mais escuras de sabor adocicado e cervejas claras com amargor muito elevado. Apesar de dizer muito em relação à cerveja e seu estilo, a coloração não é indicativo objetivo do sabor ou de outras qualidades da cerveja.


15-O que é e para que serve a serpentina?

É um tubo que sai do barril e que leva o chope até a torneira. Ela é envolta em gelo. É nesse trajeto que o chope gela.

16-Como se deve lavar um copo de chope?

Com pouco sabão neutro e água corrente em grande quantidade. É importante não deixar gordura ou sabão no copo, pois a presença destes elementos pode alterar as características do creme e da cerveja em si.
Recomenda-se deixar secar naturalmente.

17-Em que temperatura o chope congela?

Tipicamente,um chope tipo Pilsen congela por volta de -2,5º C, mas isso também depende do estilo da cerveja.


18-Quantas marcas de chope existem?

No Brasil, existem mais de 230 empresas autorizadas a produzir cerveja.
No festival brasileiro da cerveja de 2014, mais de 400 rótulos foram inscritos para avaliação no concurso brasileiro de cervejas.


19-Tomar chope de canudinho dá mais onda?

 O canudo em si não tem efeito algum. Só que se acaba bebendo mais rápido e consumindo mais, o que aumenta o efeito.



20-A qualidade da água influi no chope? 

Sim, mas as fábricas possuem tecnologia e realizam processos rigorosos para deixar a água apropriada para produção de cerveja, com interferência mínima nas características finais do produto.


21-Congelar o copo antes de beber chope é bom? 

Não, a condensação de água no copo congelado altera as características da cerveja e da formação do creme, além de não contribuir significativamente com a redução da temperatura do líquido.



22-Quais os tipos mais estranhos de cerveja que existem? 

Há cevejas feitas dos mais distintos ingredientes, até mesmo uma cerveja feita com leveduras da barba do mestre cervejeiro. Há cervejas fermentadas no fundo do oceano e também cervejas com graduação alcoólica superior a 40%, realmente não há limite para a imaginação cervejeira!


23-Lager, Ale, Stout, Bitter, que diabos é isso tudo?

O universo das cervejas possui muitas denominações de estilos, técnicas de fabricação, tipos de malte, tipos de envelhecimento. A cada nova cerveja, um novo aprendizado.


24-Quanto se bebe de chope no Brasil?

O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo mas está apenas entre os 20 maiores consumidores, com cerca de 62 litros por habitante por ano.


25-Qual a graduação alcoólica do chope?

Tipicamente, varia entre 4 GL e 13 GL, mas existem cervejas bem deslocadas desta faixa. O vinho tem 8 GL, destilados, como a vodca e o uísque, 42 GL.


26-O que é GL?

GL é a abreviatura de Gay-Lussac, unidade de teor alcoólico. O nome é uma homenagem ao cientista Joseph Louis Gay-Lussac (1778- 1850).



27-O que tem mais gás: chope, cerveja ou refrigerante?

O chope tem a mesma quantidade de gás que a cerveja. Ambos tem menos gás que o refrigerante.

28- Posso tomar quantos chopes e em seguida dirigir?

A lei de trânsito brasileira determina como infração a condução de veículo automotor após a ingestão de qualquer quantidade de álcool. Entretanto, estima-se que uma dose de bebida é eliminada pelo corpo em cerca de uma hora. Portanto, se beber um chope, após aproximadamente uma hora o álcool já deve ter desaparecido do seu organismo.

29-Qual o país onde mais se bebe cerveja?     

República Tcheca, com cerca de 160 litros por habitante por ano.

30-Quantos mililitros são "roubados" num copo com três dedos de espuma?

Nenhum. Os copos costumam ter 330 ml e são servidos com 300 ml de líquido e o resto de espuma. No exterior, é comum haver copos com a marca de 300 ml estampada.


31-Qual é o copo ideal para uma boa degustação?

Para cada estilo de cerveja há um copo mais adequado pois o formato do copo interfere na formação do creme, na propagação dos aromas e no encaminhamento da cerveja à boca. Vale a pena pesquisar e desfrutar sua cerveja em um copo adequado.


32-Qual a melhor cevada do Brasil?

Sabemos que não se utiliza apenas malte de cevada para produção de cervejas. Diversos tipos de malte nacionais e internacionais são utilizados na fabricação de cada tipo de receita. Algumas cervejas tem seu nome justamente em razão dos tipos de malte utilizados, como: Viena, Rye Pale Ale, Rauchbier, Weiss.


33-Quanto custa um barril? 

Um barril de 50 litros ao ser comprado diretamente do fabricante, custa entre 400 e 600 reais, dependendo da marca e do tipo da cerveja.








segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Loucos por Ales em Belo Horizonte

Qual é a primeira palavra que vem à sua cabeça quando você pensa em Belo Horizonte? Para nós a resposta é: Wäls!



A cervejaria Wäls é um ícone na produção de cervejas especiais no Brasil e isso é devido a um fato muito simples: a Wäls não faz cerveja ruim. Todas as cervejas da Wäls são muito equilibradas e muito bem adequadas às suas propostas.

Chegando em Belo Horizonte numa sexta feira, descobri que a Tasting Room da fábrica da Wäls só abre aos sábados e que eu não teria tempo de conferir pessoalmente. Buscando um pouquinho mais, descobri que a cervejaria também tem um Pub na região central da cidade, o Stadt Jever.

Segundo o site oficial: "O Stadt Jever é o PUB mais tradicional de Belo Horizonte. Há 30 anos mantém uma decoração charmosa e aconchegante. O balcão típico de PUB europeu é o local mais requisitado da casa. Nas paredes, além de painéis com fotos da cidade que dá o nome ao restaurante, quadros e objetos diversos encantam. No teto, um carro de boi pendurado chama a atenção de clientes desavisados. Ainda há o “mesão” que se tornou tradicional em comemorações de grandes turmas e a lendária mesa dedicada ao cantor Elvis Presley. A trilha sonora da noite é escolhida pelos clientes em uma jukebox."

Para quem é de Curitiba, o bar se parece muito com o nosso Bar do Alemão, no Largo da Ordem, só que com cervejas da mais alta qualidade mineira. Em frente ao balcão, agradáveis sofás proporcionam muito conforto aos que gostam de beber direto da fonte.

O bar serve dois chopps que não são comuns aqui em Curitiba: Stadt Jever e Wäls Niobium.

O Wäls Stadt Jever é um chopp pilsen muito refrescante e equilibrado, um pouco distante das Pilseners tchecas, eu diria que está mais para a vertente alemã de pureza e refrescância, sem o amargor muito pronunciado. Muito adequado para happy hours e dias de calor.


Wäls Niobium
Mas como sexta feira é dia de IPA, fui direto ao ponto: Wäls Niobium. A Imperial / Double IPA, teve seu nome inspirado na fértil personagem da mitologia grega “Níobe” e é também uma homenagem a cidade de Araxá-MG, futura casa da Wäls, onde encontra-se a maior reserva mundial do elemento químico “Nióbio". Com 9% ABV e 93 IBU este chopp tem coloração avermelhada, espuma cremosa, aroma frutado que remete a maracujá e amargor muito pronunciado, mas bem equilibrado como todas as cervejas da família Wäls.





Salsichão com molho curry.
Para comer: salsichão com molho curry e batatas fritas foi a recomendação da Revista Veja Comer e Beber Belo Horizonte.
 Entretanto, o curry foi servido em pó, misturado a um molho catchup/barbecue de baixa qualidade, o que me deu uma péssima impressão sobre a qualidade da cozinha do local.






 Em resumo, recomendamos sem restrições qualquer cerveja da cervejaria Wäls, de Belo Horizonte. A busca pela excelência desta marca faz-se presente de forma muito clara em todos os rótulos já avaliados por este blog. O Stadt Jever vale a visita e é um local muito agradável para uma visita com os amigos, mas não espere muito da cozinha do local. Talvez eu tenha tido muito azar na escolha do prato, mas tenho a impressão de que uma cozinha que se preze não apresentaria um prato desta maneira.


Salsichão com molho curry e batatas fritas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher


Hoje é um dia especial, dia em que homenageamos esse ser tão belo e complexamente complicado. Ah, a mulher!

Como não poderia ser diferente, nossa homenagem deve abordar a nossa também querida cerveja.

Acredita-se que um dos primeiros lugares em que a cerveja tenha aparecido foi na Mesopotâmia, pelo menos foi aonde se encontraram as provas arqueológicas mais antigas.
Lembrando-se das aulas de Geografia, a antiga Mesopotâmia situava-se entre os rios Tigres e Eufrates, sendo um terreno fértil à cultura de cereais.

Pois bem, enquanto os homens, como regra, se dedicavam a atividades como da caça, às mulheres incumbiam-se os trabalhos caseiros, além da colheita dos cereais e sua utilização na feitura de alimentos.

Defende-se que em um belo dia uma mulher, distraída com seus diversos afazeres, teria esquecido uma cesta de cereais no tempo. Assim, a Lei de Murphy que já vigia naquela época, fez chover na tal cesta de cereais, fazendo-os em pouco tempo germinar.
Deparando-se com aquela “catástrofe” a mulher resolveu remediar a situação aquecendo os grãos. Deixando descansar aquela papa de cereais, logo, as leveduras selvagens começara a atuar... Bingo! A mulher inventava a cerveja primitiva!

A participação delas não acaba por aí.

Por muito tempo as mulheres foram as responsáveis pela produção das cervejas, do antigo Egito até meados do século XVIII elas dominavam a arte de se fazer cerveja.

Na idade média, por exemplo, a mulher era reconhecida pelos seus dotes cervejeiros. Inclusive o rei Alreck de Hordoland escolheu Geirheld para ser rainha por conta das suas notórias habilidades nessa arte.

O lúpulo, responsável pelo amargor e aromas, além do seu poder conservante conferido à cerveja, também foi introduzido na produção da cerveja por uma mulher. Santa Hildegarda!
Hildegarda Von Bingen (1098-1179), mestra do mosteiro alemão de Bingen am Rhein, era conhecida em sua época por sua grande inteligência e erudição.

Fonte: kirstenvoss.my-kaliviani.com


Ela era uma verdadeira mulher “moderna”, teóloga, naturalista, médica, poetisa e dramaturca, por meio de seus livros, difundiu o conhecimento sobre as propriedades conservantes do lúpulo e de sua utilização na cerveja.

Depois de um tempo negro em que a cerveja era considerada bebida exclusiva dos machos, atualmente vemos, para o bem de todos, o reaparecimento da influência das mulheres no mundo da cerveja, desde produtos voltados ao paladar feminino, como o aumento de diversas profissionais da área, desde sommelier à mestras cervejeiras.

É claro que esse pequeno texto relata uma ínfima parcela da importância histórica das mulheres no desenvolvimento humano, mas é nossa forma singela de homenageá-las e trazer um bocadinho de fatos sobre o tema desse blog.

As mulheres são criaturas belas (e não é porque abusamos das cervejas) e de natureza delicada e merecem nosso respeito e cuidado hoje e todos os dias do ano.

Então, um brinde às mulheres! Essa é a homenagem do Loucos por Ales a vocês!

REFERÊNCIAS:

MORADO, Ronaldo. Larousse da cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.
BELTRAMELLI, Maurcio. Cervejas, brejas e birras:um guia completo para desmistificar a bebida mais popular do mundo. São Paulo: Leya, 2012.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

De frente com DeuS

Carnaval, época de muitos pecados e heresias. Sillas Malafaia ficou de frente com Gabi e sua santidade decidiu voltar a ser Ratzinger e deixar de ser Bento. E o que tudo isso tem a ver com cerveja?

As cervejas também são santas, como você já viu nesse post, e também há Deus no mundo cervejeiro.

Foto - Dagalláxia
DeuS é uma ceveja  belga produzida pelo método champenoise e limitada a 15 mil garrafas por ano. A cerveja é concebida na Bélgica de onde é levada para a cidade de Reims, na região de Champagne (França), para  receber garrafas de Champagne e fermentar novamente enquanto passa pelo processo de remuage, que dura aproximadamente um ano. Muita história, sofisticação e alto preço são os símbolos desta ótima cerveja.




Foto - Dagalláxia
No copo a DeuS se porta como um Champagne, coloração clara com espuma presente e perlage persistente. O aroma é uma mistura de ervas, frutas e especiarias; muito delicado. Um ataque de manjericão e tomilho tomam conta do aroma que se mistura a damasco, frutas secas e muito frescor. É no sabor que a DeuS mostra sua origem: Sem exibir demais os mais de 11% de álcool ela possui sabor complexo, fresco, frutado e lupulado, com final seco e consideravelmente amargo. DeuS é uma boa experiência, mas assim como Sillas Malafaia, que teve o patrimônio estimado pela revista Forbes em R$300.000.000, a cerveja não vale tudo aquilo que custa.



Em contrapartida, nossa indicação é de uma cerveja fabricada pelo mesmo processo: Eisenbahn Lust Prestige. A Eisenbahn foi a terceira cervejaria no mundo a lançar uma cerveja fabricada pelo método champenoise e o fez de forma magnífica. A Lust Prestige é uma cerveja que incorpora o sabor das trapistas belgas ao corpo de Champagne, mas esta será objeto de mais uma matéria neste blog.
Foto - Dagalláxia

Para engrenar os trabalhos na volta do carnaval, deixo para vocês a versão da Imelda May para 'Tainted Love'. 















quinta-feira, 12 de abril de 2012

Curiosidade: lúpulo e maconha são parentes


É de sabedoria quase universal que o lúpulo é o principal responsável pelo amargor das cervejas. Além disso, a depender de sua variedade, o lúpulo pode fornecer ao néctar aromas que vão do herbal ao floral, do frutado ao condimentado.
Já vimos anteriormente que o lúpulo passou a ter grande importância no processo de evolução da cerveja em razão de sua propriedade conservante.
Trata-se de uma trepadeira cujo nome científico é Humulus lupulus, – agora a coisa começa a ficar interessante – pertencente à família Cannabaceae, à qual também pertence a Cannabis sativa, mais conhecida como maconha, também alcunhada de marijuana, ganja (na Jamaica), “erva-do-capeta”, e outros nomes carinhosos que provavelmente são dados à plantinha.


Portanto, resumindo a história, o lúpulo é parente da maconha – por favor, só não vão me tentar fumar lúpulo – sendo-lhe atribuído, além do amargor e aroma, o efeito relaxante causado com a ingestão de cerveja. Pois é, não é só em razão do álcool que a cerveja causa aquela sensação agradável.

Sem mais por hoje, abraço aos “beer junkies” de plantão!

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REFERÊNCIAS:
MORADO, Ronaldo. Larousse da cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009, p. 116.
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