quarta-feira, 13 de março de 2013

Questão filosófica: “Cerveja boa é aquela que você gosta”, será?


A ideia de que a boa cerveja é aquela que se aprecia tem se disseminado pelas mídias televisivas e digitais, e pelos próprios profissionais da área, inclusive degustadores de cerveja.

A meu ver, em que pese a boa intenção em criar empatia com todos os níveis de bebedores, trata-se de um retrocesso no que se refere à busca e reconhecimento das boas cervejas de verdade.
Mas então, o que são cervejas boas de verdade, se não aquelas que você aprecia?

Há quem diga que uma cerveja Sol ou Antarctica sub-zero seja uma boa cerveja e que sua opinião deva ser respeitada. Eu particularmente, em se tratando de lagers, prefiro uma Pilsner Urquell.

Todavia, segundo a máxima de que a cerveja boa é aquela que você gosta, minha escolha não seria melhor do que a de quem optou por uma sub-zero estupidamente gelada.

Ambos concordariam em discordar. A boa cerveja seria uma definição meramente subjetiva, o que é bom pra um pode não ser para outro e ponto final. Eu jamais convenceria que a pilsen tcheca é melhor que as referidas standard american lager.

Hum... Levemos a discussão para outra área, e testemos tal premissa.
Tema que eu aprecio, o cinema. É comum, especialmente em tempos de grandes lançamentos, discussões acerca de como o filme é bom ou ruim na opinião dos espectadores.

Mas, descartando a opinião de conhecidos, de que forma podemos avaliar nosso interesse em despender dinheiro e tempo para ir ao cinema assistir ao filme em questão?

Muitos de nós, com certeza, recorrerão a colunas de jornais e revistas ou mesmo na internet, em busca de opiniões abalizadas de estudiosos ou cinéfilos.

Sendo assim, nós admitimos que existem pessoas com maior grau de especialização e conhecimento sobre a temática cinematográfica, correto? Mesmo que você, eventualmente, venha a não gostar do filme que foi muito bem cotado por especialistas, você, ainda que de forma indireta, reconheceu que existe um grupo de pessoas que detêm um conhecimento mais aprofundado do que a maioria dos espectadores.

Para ser mais claro, você pode ser realmente fã do filme Spawn ou Freddy VS Jason, mas é inegável que esses são péssimos filmes, ainda que sirvam como um bom passa tempo (para alguns.)

Da mesma forma, Encontros e Desencontros pode ser um poço sem fim de tédio para um grande número de pessoas, mas nem por isso tal fato retira a qualidade e sutileza na abordagem de um tema tão batido como do amor entre um homem e uma mulher – que inclusive deu o Oscar de melhor roteiro adaptado ao filme dirigido por Sofia Coppola.

Tudo isso, para dizer que, da mesma forma, existem opiniões mais objetivas que podem levar à escolha de uma boa cerveja de verdade, demonstrando que não se trata apenas de uma questão de gosto.

Por mais que as pessoas teimem em dizer que a cerveja com tequila, Desperados, seja muito boa, eu, na minha humilde opinião e conhecimento de cerveja, não posso admitir tal assertiva como verdadeira, eu diria inclusive que, por pouco, tal bebida se trata de qualquer outra coisa que não uma cerveja.

Por outro lado, com o risco de ser pesadamente criticado, eu não sou grande fã da cerveja DeuS, não me atrai o aroma de manjericão da cerveja, bem como eu a acho um tanto enjoativa.

Todavia, até eu sei reconhecer que se trata de uma cerveja de excelente qualidade, sendo dispensado enorme cuidado em todo processo de produção. Afinal de contas, o que dizer de uma cerveja que passa pelo processo de champenoise na própria região de Champangne, além de possuir elevadíssimo teor alcoólico, 11%, sem que se perceba tal potência, demonstrando o enorme equilíbrio da bebida?

Com base em tudo isso, fica a campanha, cerveja boa de verdade não é aquela que qualquer pessoa enaltece como sendo uma boa cerveja e que sua opinião deva ser “respeitada”, independentemente de critérios objetivos de avaliação.

Pensar dessa forma é desestimular a utilização de insumos de qualidade em busca da melhor cerveja possível de se produzir. Esse raciocínio desencoraja, em especial, micro e pequenas cervejarias, responsáveis, em grande parte, pela revolução pela qual estamos passando.

Nós somos seres em constante aperfeiçoamento e nosso paladar não é diferente. Aos poucos, com treino, qualquer pessoa poderá reconhecer que, sim, existem cervejas que são melhores, e que essa avaliação não é mera questão de gosto!

Que me desculpem aqueles que enaltecem as qualidades da Sol ou Antarctica sub-zero, mas existe muito mais além das prateleiras de grandes mercados.
O Ministério da Saúde adverte: Filosofia pode causar
variações de humor e falta de asseio.

Um forte abraço Kantiano meus colegas cervejeiros!!

* Inspirado no texto de Michael P. Lynch, “A verdade sobre a cerveja”

REFERÊNCIAS

HALES, Steven D. (org.). Cerveja e filosofia. 1. ed. Rio de Janeiro: Tinta negra bazar editorial, 2010.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia da Mulher


Hoje é um dia especial, dia em que homenageamos esse ser tão belo e complexamente complicado. Ah, a mulher!

Como não poderia ser diferente, nossa homenagem deve abordar a nossa também querida cerveja.

Acredita-se que um dos primeiros lugares em que a cerveja tenha aparecido foi na Mesopotâmia, pelo menos foi aonde se encontraram as provas arqueológicas mais antigas.
Lembrando-se das aulas de Geografia, a antiga Mesopotâmia situava-se entre os rios Tigres e Eufrates, sendo um terreno fértil à cultura de cereais.

Pois bem, enquanto os homens, como regra, se dedicavam a atividades como da caça, às mulheres incumbiam-se os trabalhos caseiros, além da colheita dos cereais e sua utilização na feitura de alimentos.

Defende-se que em um belo dia uma mulher, distraída com seus diversos afazeres, teria esquecido uma cesta de cereais no tempo. Assim, a Lei de Murphy que já vigia naquela época, fez chover na tal cesta de cereais, fazendo-os em pouco tempo germinar.
Deparando-se com aquela “catástrofe” a mulher resolveu remediar a situação aquecendo os grãos. Deixando descansar aquela papa de cereais, logo, as leveduras selvagens começara a atuar... Bingo! A mulher inventava a cerveja primitiva!

A participação delas não acaba por aí.

Por muito tempo as mulheres foram as responsáveis pela produção das cervejas, do antigo Egito até meados do século XVIII elas dominavam a arte de se fazer cerveja.

Na idade média, por exemplo, a mulher era reconhecida pelos seus dotes cervejeiros. Inclusive o rei Alreck de Hordoland escolheu Geirheld para ser rainha por conta das suas notórias habilidades nessa arte.

O lúpulo, responsável pelo amargor e aromas, além do seu poder conservante conferido à cerveja, também foi introduzido na produção da cerveja por uma mulher. Santa Hildegarda!
Hildegarda Von Bingen (1098-1179), mestra do mosteiro alemão de Bingen am Rhein, era conhecida em sua época por sua grande inteligência e erudição.

Fonte: kirstenvoss.my-kaliviani.com


Ela era uma verdadeira mulher “moderna”, teóloga, naturalista, médica, poetisa e dramaturca, por meio de seus livros, difundiu o conhecimento sobre as propriedades conservantes do lúpulo e de sua utilização na cerveja.

Depois de um tempo negro em que a cerveja era considerada bebida exclusiva dos machos, atualmente vemos, para o bem de todos, o reaparecimento da influência das mulheres no mundo da cerveja, desde produtos voltados ao paladar feminino, como o aumento de diversas profissionais da área, desde sommelier à mestras cervejeiras.

É claro que esse pequeno texto relata uma ínfima parcela da importância histórica das mulheres no desenvolvimento humano, mas é nossa forma singela de homenageá-las e trazer um bocadinho de fatos sobre o tema desse blog.

As mulheres são criaturas belas (e não é porque abusamos das cervejas) e de natureza delicada e merecem nosso respeito e cuidado hoje e todos os dias do ano.

Então, um brinde às mulheres! Essa é a homenagem do Loucos por Ales a vocês!

REFERÊNCIAS:

MORADO, Ronaldo. Larousse da cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.
BELTRAMELLI, Maurcio. Cervejas, brejas e birras:um guia completo para desmistificar a bebida mais popular do mundo. São Paulo: Leya, 2012.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A união de coisas boas...

Sempre digo que a união de duas coisas boas só pode ter um ótimo resultado. Quando este assunto surge, sempre há alguém para lembrar, já com cara de nojo: "Chocolate e Bacon". Pois sim, chocolate com bacon é uma delícia!

Foto: Examiner.com
Podem acreditar, fomos apresentados a esta e outras experiências durante o curso de Harmonização com Cervejas da Bodebrown.

Desde nosso nascimento, a percepção sempre foi a razão pela qual provamos a satisfação e o prazer. Seja o conforto de ter algo com o que estamos acostumados ou a surpresa por uma novidade, aos poucos formamos nossas impressões, parâmetros e opiniões sobre aquilo que nos satisfaz e nos agrada. Este é exatamente o processo que acontece na formação de nossa biblioteca do sabor, onde recordamos sabores, aromas e experiências que nos agradaram ou desagradaram.

No último final de semana estivemos presentes no curso de harmonização com cervejas da cervejaria Bodebrown, daqui de Curitiba. E o recado sobre a harmonização, assim como na degustação das cervejas, não poderia ser outro: "Não há certo ou errado". Cada degustação, cada harmonização depende de características pessoais de percepção e identificação com os sabores e nuances do prato em combinação com a cerveja.

Assim como na experiência sensorial em que deixamos uma de nossas mãos em uma bacia com água gelada e outra em água morna e, após alguns minutos, imergimos ambas as mãos em água a temperatura ambiente, a percepção de sabores e aromas acontece de forma referencial. Ao compor uma harmonização submetemos o nosso paladar à composição dos sabores da cerveja e do prato. E agora? Você quer que sua cerveja seja a água fria ou a água morna na percepção dos seus convidados? Ao harmonizar elementos semelhantes você pode criar uma agradável sensação de conforto e sinestesia, evidenciar características de algum dos elementos ou ainda realizar um choque de sensações controversas.

Para todos aqueles que apreciam cervejas especiais, a arte da boa mesa e, principalmente, a harmonia das duas coisas, recomendamos este curso promovido pela cervejaria Bodebrown. Saímos de lá muito satisfeitos com a experiência, com a estrutura e com a cordialidade de todos que nos receberam.

No curso nos foram apresentados conceitos básicos de degustação de cervejas, sabores e teorias de harmonização. Foram 8 harmonizações de alimentos com cervejas variadas e complexas, nacionais e importadas, sempre com foco nas diferentes percepções causadas por cada combinação de características.

Como a carbonatação ajuda com alimentos gordurosos? Como a pimenta pode ser favorecida ou desfavorecida pelo Lúpulo? Como a torrefação do malte pode ser revelada por doces, entre outras características foram abordadas e muito bem comentadas e apreciadas.

Cervejas que provamos neste sábado:

 - Morada Double Viena
 - Bodebrown Blanche de Curitiba
 - Rogue Punpkin Ale
 - Way Amburana
 - De Bora Poderosa IPA
 - Rocheford 8
 - Founders Porter
 - Liefmans Fruitesse

Foto:aartedabebida.blogspot.com

Muito obrigado ao instrutor, Allan Cunha, à Bodebrown e a todos os presentes.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

De frente com DeuS

Carnaval, época de muitos pecados e heresias. Sillas Malafaia ficou de frente com Gabi e sua santidade decidiu voltar a ser Ratzinger e deixar de ser Bento. E o que tudo isso tem a ver com cerveja?

As cervejas também são santas, como você já viu nesse post, e também há Deus no mundo cervejeiro.

Foto - Dagalláxia
DeuS é uma ceveja  belga produzida pelo método champenoise e limitada a 15 mil garrafas por ano. A cerveja é concebida na Bélgica de onde é levada para a cidade de Reims, na região de Champagne (França), para  receber garrafas de Champagne e fermentar novamente enquanto passa pelo processo de remuage, que dura aproximadamente um ano. Muita história, sofisticação e alto preço são os símbolos desta ótima cerveja.




Foto - Dagalláxia
No copo a DeuS se porta como um Champagne, coloração clara com espuma presente e perlage persistente. O aroma é uma mistura de ervas, frutas e especiarias; muito delicado. Um ataque de manjericão e tomilho tomam conta do aroma que se mistura a damasco, frutas secas e muito frescor. É no sabor que a DeuS mostra sua origem: Sem exibir demais os mais de 11% de álcool ela possui sabor complexo, fresco, frutado e lupulado, com final seco e consideravelmente amargo. DeuS é uma boa experiência, mas assim como Sillas Malafaia, que teve o patrimônio estimado pela revista Forbes em R$300.000.000, a cerveja não vale tudo aquilo que custa.



Em contrapartida, nossa indicação é de uma cerveja fabricada pelo mesmo processo: Eisenbahn Lust Prestige. A Eisenbahn foi a terceira cervejaria no mundo a lançar uma cerveja fabricada pelo método champenoise e o fez de forma magnífica. A Lust Prestige é uma cerveja que incorpora o sabor das trapistas belgas ao corpo de Champagne, mas esta será objeto de mais uma matéria neste blog.
Foto - Dagalláxia

Para engrenar os trabalhos na volta do carnaval, deixo para vocês a versão da Imelda May para 'Tainted Love'. 















sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

AS BARATINHAS DE CARNAVAL


É, meus queridos! É tempo de carnaval, globeleza, sambas enredo irritantes que ficam martelando até os limites da razão, propagandas de conscientização acerca da bebedeira segura e o sexo em exagero...quer dizer, bebida com moderação e sexo seguro.

É tempo também de juntar a ograda, lotar o carro mil e encarar horas de estrada pra chegar à praia e, é claro, tempo de beber muita cerveja barata estupidamente gelada.

foto: Biancolini

Isso mesmo! Convenhamos, ninguém vive só de cervejas especiais, e eventos como churrasco entre amigos e o carnaval são prova disso. Ninguém tira uma Pilsener Urquell do isopor na beira da praia e degusta essa maravilha tcheca em uma taça adequada ao estilo pilsen (até que não seria uma experiência das piores).

Não, Não, carnaval é tempo de tomar quantidades maciças das queridas standard american lagers, aquelas conhecidas como pilsen aqui em terrae brasilis.

E pensando no bem estar de vossas senhorias, foliões cervejeiros, é que fizemos uma jornada emocionante, intrigante, às vezes dolorosa, é verdade, mas enriquecedora, e que ajudará na escolha da cerveja ideal para pular a tão esperada festa pagã.

Vale alertar que as cervejas testadas se restringiram àquelas distribuídas em lata ou long neck devido à facilidade do transporte e da acomodação em isopores, coolers e similares.

Vamos então Às Baratinhas!

Comecemos com uma das marcas nacionais mais tradicionais, a

Antarctica: Teor alcoólico 4,9%; comprada em lata 350 ml; valor: R$ 1,49.
Impressões: Aroma de malte, ataque no paladar, mais malte, bem carbonatada. Retorno (quero dizer, aquele arrotinho gostoso que volta logo após o primeiro gole), sente-se um toque de alumínio.
Podiam caprichar mais no lúpulo e menos nos carboidratos e cereais não-malteados – isso com certeza.
Ingredientes: água, malte, cereais não-malteados, carboidratos, lúpulo, antioxidantes e estabilizantes.

Antarctica sub zero: Teor alcoólico 4,6%; comprada em lata 350 ml; valor: R$ 1,29.
Impressões: Infelizmente, a dica é a mesma para várias das cervejas “degustadas” (com ênfase nas aspas!), beba bem gelada! Do contrário o arrependimento é certo como a morte, tarde mais não falha, nesse caso não tarda muito não.
Meio azeda, amarra a boca (adstringência). Pouca espuma.
foto: Biancolini
A cervejaria se gaba de fornecer um produto duplamente filtrado abaixo de zero. Tal “super-filtragem” serve justamente para compensar a baixa qualidade da cerveja, mantendo por mais tempo inalteradas suas propriedades organolépticas. Caso contrário, a ação de qualquer levedura ou a existência de resíduos na cerveja a tornariam intragáveis.
A dupla filtragem garante a transparência da cerveja e sua falta de aroma e sabor, sendo que após algumas latas você passa a duvidar se realmente está tomando uma bera.

Devassa bem loura: Teor alcoólico 4,7%; comprada em lata 350 ml; valor: R$ 1,50.
Impressões: Na minha opinião, trata-se de uma cerveja para o público feminino, doce e com bastante gás. Chega a ser enjoativa.
Ingredientes: Água, malte, cereais não malteados, lúpulo, antioxidantes, estabilizantes.

Nova Schin: Teor alcoólico 4,7%; comprada em lata 350 ml; valor: R$ 1,25.
Impressões: Pra bom entendedor meio gole basta! Essa é de doer. Amarrou a boca, doce demais! Cheiro da lata.
Ingredientes: Água, malte, cereais não malteados, lúpulo, estabilizantes e antioxidantes.

Sol: Teor alcoólico 4,6%; comprada na garrafinha caçulinha de 250 ml; valor: R$ 1,28.
Impressões: Cerveja de péssima qualidade. Foi difícil de terminar os 250 ml. No copo, a cerveja perde espuma e aroma rapidamente. Aguadinha, quase transparente, deixando um azedinho na língua e começo da garganta. Cerveja para mandar os convidados embora, servir pra sogra ou outro desafeto. Nem pense em tomar em outra temperatura que não estupidamente gelada.
Essa foi dura, e ainda há mais por vir!
Ingredientes: Água, malte, lúpulo (passou de avião), cereais não maltados, carboidratos transformados, estabilizante e antioxidantes.

Bavaria Premium (puro malte): Teor alcoólico 4,8%; comprada na long neck de 355 ml; valor: R$ 1,99.
Impressões: Cor dourada e espuma consistente.
Forte aroma de malte, bem carbonatada, gerando leve ardida na ponta da língua. Sensação agradável na garganta. Pouco mais de lúpulo daria maior equilíbrio.
Uma boa cerveja. Boa pedida para mulheres, não sendo tão enjoativa quanto uma Bud ou Devassa bem loira. Não deixa retrogosto desagradável.
Todavia, acho que não é uma cerveja fácil de se tomar o dia inteiro.
Ingredientes: Água, malte, lúpulo, estabilizante e antioxidante. Repare que é uma cerveja puro malte, por isso não contém adjuntos como cereais não maltados ou carboidratos. Fato que torna essa cerveja uma boa escolha.

Skol: Teor alcoólico 4,7%; comprada na long neck de 250 ml; valor: R$ 1,35.
Impressões: Espuma se dissipou logo. Cerveja refrescante, para ser tomada rapidamente. Possui proporção de lúpulo menor que a Sol, por exemplo, mas é menos enjoativa.
Ingredientes: Água, malte, cereais não malteados, carboidratos, lúpulo, antioxidante e estabilizante.

Bohemia: Teor alcoólico 5%; comprada em long neck de 355 ml; valor: R$ 2,19.
Impressões: Formação de espuma com bolhas grandes, o que significa má formação, logo dissipou. Como a maioria das experimentadas, causa leve ardência na língua. À primeira vista mostrou-se equilibrada, preponderando sabor do malte, com a temperatura um pouco mais alta, percebe-se que é uma cerveja bastante adocicada.
Segundo o rótulo é a 1º cerveja do Brasil, o que é tecnicamente falso, já que existiram diversas cervejas antecessoras fabricadas no território nacional, mas que sumiram, muitas sem deixar qualquer registro[1].
Outra informação intrigante do rótulo é a de que a cerveja permanece seguindo a receita original do mestre-cervejeiro. Será que essa receita realmente levava cereais não malteados, carboidratos, estabilizantes e antioxidantes?
De qualquer forma, é uma cerveja tradicional e que é do gosto do povo, cuja cervejaria foi criada em 1853 por Henrique Kremer, fundada na cidade de Petrópolis/RJ.

Summer Draft: Teor alcoólico 4,7%; comprada em long neck de 355 ml; valor: R$ 2,31.
Impressões: Espuma honesta, cerveja quase transparente mas bastante aromática na primeira impressão. Com mais tempo, pensei ter sentido um cheiro de canto ou mofo. Cerveja bastante refrescante. Cerveja que cumpre ao que se destina.
Ingredientes: Água, malte, lúpulo, cereais não malteados e antioxidantes.

Budweiser: Teor alcoólico 5%; comprada em long neck de 355 ml; valor: R$ 2,19.
Impressões: Essa cervejinha, nos últimos tempos, caiu no gosto do povo. Aquela coisa, nada contra, mas a peãozada gosta de novidade dos gringo, em que pese a Bud vendida nos mercados ser produzida por essas bandas de cá mesmo.
Bom, vamos lá. Cerveja extremamente clara, com espuma de pouca duração, como a maioria das testadas. Leve cheiro de chapinha de metal, tradicional ardência na ponta da língua em razão da carbonatação.
Detalhe interessante fica por conta da adição de arroz no malte, o que não me parece que deveria ser sinal de orgulho como a marca ostenta, e o tal processo Beechwood, que segundo consta é uma espécie de madeira colocada nos tanques de fermentação[2].
Pra mim, particularmente, a Budweiser como cerveja é um excelente trabalho de marketing.

Itaipava: Teor alcoólico 4,6%; comprada na lata seladinha de 350 ml; valor: R$ 1,32.
Impressões: Boa aparência, espuma, nada novo. Primeiro gole tem um “q” de fermentação de vinho espumante (não sei aonde eu estava com a cabeça quando achei isso?). Uma boa cerveja para um dia de praia.
Ingredientes: Água, malte de cevada, cereais não malteados, carboidratos, lúpulo, antioxidante e estabilizante.

Glacial: Teor alcoólico 4,4%; comprada na lata seladinha de 350 ml; valor: R$ 1,14.
Impressões: Essa é difícil de entender. Bem gelada é levíssima e desce legal. Amarra um pouco a boca. Com um pouco mais de cuidado, percebe-se que ela é bem insossa, mas dá pra tomar de boa.
Ingredientes: Água, malte, cereais não malteados, lúpulo, estabilizante e antioxidante.

Bavária clássica: Teor alcoólico 4,6%; comprada em lata de 350 ml; valor: R$ 1,35.
Impressões: Espuma surpreendentemente cremosa. No primeiro gole deu uma bela amarrada na boca, mas a impressão foi boa, a cerveja tem um amarguinho honesto.
Ingredientes: Água, malte, lúpulo, cereais não malteados, carboidratos transformados, antioxidantes e estabilizantes.

Kaiser gold: Teor alcoólico 5,4%; comprada em long neck 355 ml; valor: R$ 2,38.
Impressões: É uma cerveja extra, com teor alcoólico um pouco mais elevado, com coloração um pouco mais escura do que as demais concorrentes. É uma boa cerveja, apresenta um amargor agradável, podendo-se sentir, discretamente, notas do lúpulo, o que é raro nas cervejas populares e mesmo nas premium como a Gold e Brahma extra.

Brahma chopp: Teor alcoólico 4,8%; comprada na lata de 350 ml; valor: R$ 1,69.
Impressões: Essa cerveja é uma boa opção pra quem quer uma cerveja um pouco mais encorpada e quer gastar o mesmo que gastaria com uma Skol ou Antarctica. No copo é uma cerveja dourada e apresentou, o que me pareceu, cheiro de ovo.
Ingredientes: Água, Malte, Cereais não maltados, Carboidratos, Lúpulo, Antioxidante e Estabilizante.

Heineken: Teor alcoólico 5%; comprada na lata de 350 ml; valor: R$ 2,19.
Impressões: A Heineken é uma cerveja premium, de ótimo custo benefício, já que na média do seu valor é a única cerveja pura, ou seja, contém malte exclusivamente de cevada sem adição de qualquer estabilizante ou antioxidante. Isso significa dizer que você pode beber muitas que não irá dar dor de cabeça. Isso eu digo por experiência própria.
É claro que essa cerveja não é do gosto de todos, muitos amigos, na verdade a desprezam.
Fato é que a Heineken é uma cerveja de sabor e aroma únicos. Isso se deve principalmente pela levedura desenvolvida exclusivamente para sua produção, o que oferece a individualidade dessa bera.
Essa cerveja é a minha primeira escolha, quando não se trata de cervejas especiais. No Brasil, depois da Heineken, até onde vão meus conhecimentos, a cerveja pura mais barata são as Eisenbahn, que seguem a lei de pureza da Baviera, e custam a partir de 5 ou 6 reais. Portanto, a Heineken tem um excelente custo-benefício.

Então, vamos lá!

Como vocês puderam perceber, minha escolha para o carnaval seria a Heineken em razão de sua qualidade e preço acessível, sem falar na garantia de não ter que sofrer com uma baita dor de cabeça na manhã seguinte ao carnaval.
Mas, muita gente não vai concordar com essa escolha, ou por não suportar a Heineken, ou por achar o preço um pouco elevado para a ocasião.
Caso você não se importe tanto com o preço, e apenas não é fã da Heineken, uma boa opção é a Kaiser Gold, cerveja bastante saborosa, com um bom amargor para enfrentar o calor. Na mesma linha de cervejas extras, outra opção é a Brahma extra, todavia ela não é tão encorpada.
Se você está mais preocupado com o preço, mas quer um pouco de qualidade, a opção é a Bavaria premium, cerveja bastante honesta ou, ainda, a Itaipava, que é bem refrescante e com a vantagem das latas possuírem o selo de proteção, bastante útil na beira da praia.
Agora, se você quer beber o máximo por menos e ficar louco, a pedida é a Bavária Clássica, apesar de ser um pouco mais cara que a Glacial, seu teor alcoólico é mais elevado e o amarguinho permite você tomar maiores quantidades sem o efeito empapuçante.

Isso aí pessoal, eu sei que esse post teve uma proposta audaciosa e muitas marcas ficaram de fora, mas nosso trabalho foi árduo. A ideia é de que a cultura cervejeira não sobrevive só de cervejas especiais, principalmente num país como o nosso, em que as cervejas de grande escala fazem parte do nosso dia-a-dia e da nossa cultura.

Um abraço a todos e, por favor, apesar da ogrisse desse post, bebam com responsabilidade nesse carnaval, se forem exagerar, o que é quase certo, deixem o carro em casa e vão pular bastante pra curar a bebedeira!

* os preços foram retirados do site mercadorama.com entre os dias 6 e 8 de fevereiro.



[1]BELTRAMELLI, Mauricio. Cervejas, brejas e birras: um guia completo para desmistificar a bebida mais popular do mundo. São Paulo: Leya, 2012, p. 187.
[2] http://trilhadabreja.wordpress.com/tag/budweiser/

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sorvete e cerveja, combinação que ainda vai dar o que falar


Sorveja ou Cervete? O importante mesmo é que a combinação de gelato italiano e cervejas gourmet está se tornando um sucesso aqui pelas terras dos pinheirais, Curitiba.

A ideia surgiu num bate papo entre os irmãos Hegon e Herik Correia , proprietários da loja mestre-cervejeiro, franquia da marca pertencente à Daniel Wolff, e a amiga Emilene Stival, proprietária da empresa Gelataio artiginale, que trouxe a técnica de preparo aprendida diretamente na Itália.
Pois bem, não é difícil imaginar, talvez, que numa conversa durante um jantar regado a boa cerveja e tendo um gelato artesanal italiano como sobremesa, eureca! Por que não misturar esses dois universos tão aprazíveis.

Foto: facebook.com/MestreCervejeiro
Não podia ser diferente, tanto as cervejas artesanais ou especiais quanto o verdadeiro gelato seguem um princípio em comum e essencial para garantir o sucesso desses produtos. Trata-se da pureza dos ingredientes empregados na elaboração de ambos. Tanto nas cervejas especiais quanto no gelato evita-se, a qualquer custo, a utilização de produtos industrializados como conservantes e outros aditivos que servem para baratear a produção, mas não sem prejuízo do sabor e qualidade da cerveja e do, pedindo licença para usar o termo leigo, sorvete.

Outro segredo do sucesso é a própria combinação inusitada entre cerveja e sorvete, gerando grande curiosidade, tanto dos apreciadores das beras quanto dos de gelatos, sorvetes, sorbets e et ceteras.

É possível fazer inúmeras combinações de sabores de frutas, chocolates, cremes e as mais variadas cervejas. Só para citar como exemplo, nas duas edições do evento Sorvete e Cerveja que rolou na loja Mestre-cervejeiro, tivemos sabores que levavam cervejas como Affligem, Eisenbahn strong golden ale, com abacaxi, Guinnes, Mort Subite Kriek, - o primeiro a esgotar na primeira edição! – Baden Baden stout, com chocolate, e, acredite ou não, sorvete de Punk IPA. Esse último tive a oportunidade de provar, parecia que eu estava literalmente comendo a cerveja numa textura extremamente cremosa!
Foto: facebook.com/MestreCervejeiro


Agora, não pensem vocês que utilizar cerveja no preparo de alimentos é novidade, há muito os chefs utilizam sem parcimônia o precioso líquido nas mais diversas receitas, desde carnes a massas até frutos do mar e sobremesas. Nação exemplo da mistura culinária e cervejas é a Bélgica, que desde muito tem aperfeiçoado as técnicas nesse segmento, mas isso é tema para um outro post.

Abraço aos amantes das cervejas e dos gelatos!

sábado, 26 de janeiro de 2013

O retorno


Depois de um longo período sabático tomamos vergonha na cara e retomamos os trabalhoS no loucos por ales, trazendo em primeira mão, ou não, a tão esperada e noticiada nas mídias sociais, Saison de Caipira, uma parceria entre as excelentes cervejarias Wäls, de Belo Horizonte, e Brooklyn (EUA) do mundialmente reconhecido Garrett Olivier.
Em torno dessa cerveja se criou tanta expectativa que em diversos fornecedores sua venda esgotou antes mesmo da chegada do precioso líquido às prateleiras.
Justamente essa “euforia” criada sobre a Saison de Caipira pode causar uma certa frustração aos fãs incondicionais da cervejaria Wäls, como esse que vos fala, e conhecedores da qualidade irretocável das cervejas Brooklyn.
Foto: Daniel Dagaláxia
Não pense, todavia, que a cerveja não merece aplausos, pelo contrário, como todas as brejas produzidas pela cervejaria belo-horizontina essa também é exemplo de qualidade, desde o cuidado de seu vasilhame rolhado, com rótulo muito elegante portando gravura do artista Gustavo Penna, até, é claro, a cerveja.
Como eu disse, trata-se de duas cervejarias tão reconhecidas que é difícil conter o entusiasmo ao se deparar com um produto tão esperado.
Bom, fato é que a frustração advém tão somente do subjetivismo dos degustadores, que esperavam entornar um místico néctar diretamente do Santo Graal.
Sem mais delongas, vamos à roça capinar e colher todo um pomar de frutas e desbastar meio hectare de cana-de-açúcar, ingrediente que fornece toda uma peculiaridade ao produto.
A cerveja possui espuma cremosa e cor de água de rio lamacento (sem qualquer tom pejorativo), inclusive, podem-se ver detritos de levedura no fundo do copo.
Ao tomar o primeiro gole leva-se um susto, provavelmente do ataque da cana-de-açúcar no fundo da boca. Só após outros goles é que você reconhece o dulçor um tanto azedo da rapadura. Estranho, não? Mas é essa a minha impressão. Trata-se daquele doce que causa uma sensação estranha na parte lateral no fundo da boca, perto do dente do siso, característico do azedo. Lembrem, não são incomuns sabores antagônicos em um mesmo alimento, bom exemplo é a paçoca de amendoim, que possui aquele doce salgadinho inconfundível.
Para não fugir à regra do estilo, é uma cerveja refrescante.
Quer saber? Melhor mesmo é você beber e tirar suas próprias conclusões.

GLOSSÁRIO
Saison ou season beer: Acredita-se que essas cervejas sazonais surgiram em Hainaut, na Bélgica Francófana, produzida nas fazendas (farmhouse breweries) durante a temporada de verão para matar a sede dos agricultores. Esse estilo quase desapareceu, tendo ressurgido nas últimas décadas em Flandres e, após, nos EUA, e mais recentemente nas terras tupiniquins.
Atribuí-se a riqueza e o caráter vívido dessas beras às leveduras, alimentadas ou não pela adição de açucares. 

Referências
Guia Ilustrado Zahar, 2. ed., p.45.
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