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terça-feira, 10 de março de 2015

Encontramos a Westvleteren Paranaense



A história mítica que todos conhecem: uma cervejaria de difícil acesso, que produz uma cerveja exclusiva e limitada, que só é comercializada em um único bar. Todos que já provaram dizem que vale o esforço para vencer as dificuldades, chegar até lá e desfrutar daquela que pode ser a melhor cerveja do mundo.

Porém, desta vez não estamos falando da Westvleteren XII, eleita diversas vezes como a melhor cerveja do mundo. Brincadeiras, exageros e comparações à parte, a bola da vez é a cerveja Guará, produzida pela Porto de Cima exclusivamente para Mercearia Rodrigues, em Guaraqueçaba. Isso mesmo, se você quiser beber essa belezinha terá que ir até Guaraqueçaba e procurar a Mercearia Rodrigues e, ao contrário do que acontece com a West. XII, não há um "mercado negro" de distribuição. Talvez, você possa recorrer a um amigo que esteja passando pela região.





Mas vamos à cerveja!

A Guará é uma Saison de Cataia. O estilo Saison tem suas origens em Wallonia, na Bélgica, e é um estilo muito refrescante e variado, criado para ser bebido no Verão.

É neste estilo que os cervejeiros dão asas à criatividade, como é o caso da Bodebrown – Saison de Apricot e da Wals – Saison de Caipira. E foi neste estilo que a Porto de Cima conseguiu inserir o ingrediente mais tradicional da região de Guaraqueçaba, a Cataia.

A Cataia é uma planta medicinal, conhecida pelas capacidades cicatrizantes, além de ser utilizada para tratamento de problemas estomacais. A folha também é muito utilizada para a produção da cachaça de cataia, bebida ícone da região. A imersão de folhas de cataia amacia a cachaça e confere a ela notas picantes e amadeiradas. Não é à toa que essa bebida é comumente conhecida como Uísque Caiçara.

Na cerveja em questão as folhas de Cataia conferiram à Saison du Guarakessaba notas picantes e também aroma e sabor de especiarias, principalmente cravo. Como é de se esperar de uma saison, a Guará é leve, bem carbonatada e não muito amarga, permitindo que os sabores provenientes da Cataia se sobressaiam aos demais.

Para os cervejeiros aventureiros que ficaram curiosos pela cachaça de cataia e pela Guará (Saison du Guarakessaba), ambas estão disponíveis na Mercearia Rodrigues, em Guaraqueçaba. Para maiores informações, consulte este post sobre a região.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

10 Cervejas para as festas de fim de ano - Seu guia definitivo de harmonização.




Hoje é dia de ceia de Natal e nossos queridos Loucos por Ales não poderão passar sem uma bela cervejinha. Por este motivo desenvolvemos uma lista das principais harmonizações para sua noite feliz e também para o ano novo.

Em se tratando de Natal no Brasil, cabem algumas considerações:
  • Como as tradições cervejeiras foram originadas no hemisfério Norte, onde é inverno no Natal, as cervejas comemorativas costumam ser adocicadas, encorpadas e com alto teor alcoólico. No Brasil é verão (exclua Curitiba desta lista) mas sempre é tempo para uma boa Ale. 
  • Nas festas de final de ano, mesmo os menos arrojados na cozinha aderem ao agridoce e a algumas combinações não tão tradicionais (há quem acredite que basta uva passa para um prato se tornar festivo, mas essa é outra história). Aproveite este momento para harmonizações por contraste e para complementar o sabor dos pratos e dar seu toque pessoal à ceia.
  • Nossa lista terá sempre duas opções ou mais para harmonização com cada prato. Todas as cervejas indicadas são fáceis de encontrar em lojas especializadas.
  • Muitas das sugestões fogem de alguns padrões ortodoxos de harmonização e são baseadas em nossa própria experiência. Estamos abertos a críticas e sugestões. 
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1 - Aperitivos - Aperitivos como queijos, salames e canapés são fortes e gordurosos. Se você não deseja pesar ainda mais, utilize uma cerveja leve e bem carbonatada. Uma Kölsch irá te auxiliar no início dos trabalhos, permitindo fôlego para o que vem pela frente.

Rótulos indicados: Morada Kölsch, Eisenbahn Kölsch.

2 - Saladas com frutas e castanhas - Com certeza a salada na ceia receberá frutas e será incrementada, possivelmente com castanhas.  Para acompanhar o sabor agridoce e mais gorduroso por conta de castanhas ou um molho mais potente, nossa sugestão é de uma Blond Ale belga.

Rótulos indicados: Leffe Blond, La Trappe Blond.




3 - Salpicão - Harmonização difícil, o salpicão é um prato frio e gorduroso, com diversos sabores possíveis. Se incluir abacaxi, maçã ou passas será bem acompanhado por uma Saison.

Rótulos indicados: Brooklyn Sorachi Ace, Bodebrown Saison Apricot.
4 - Pernil - As carnes são o auge da refeição e serão harmonizadas com cervejas de mais personalidade,
mas sem exageros. O Pernil, com seu sabor menos acentuado, será harmonizado com uma Altbier ou Amber Ale.

Rótulos indicados: Bamberg Alt, Wensky Beer Saci.




5 - Peru - Esta ave possui sabor delicado, combina com laranja e especiarias. Isso mesmo, pequeno gafanhoto, vamos de Wit ou Blanche.

Rótulos indicados: Bodebrown Blanche de Curitiba, Blache de Bruxelles, Estrella Damm Inedit. Se quiser revolucionar, vá de Dum Grand Cru.






6 - Tender ou Lombo - Chegou a hora mais esperada! Agora vamos mandar ver e deixar todo mundo alegre. (Não me responsabilizo por ânimos exaltados ou pela piada do Pavê).

Rótulos Indicados - Delirium Tremens, La Trappe Quadrupel, Chimay Red. 






7 - Salmão - Salmão com maracujá? Mesmo que a receita não leve Maracujá, você pode incluí-lo com a cerveja. Uma IPA não é a escolha mais óbvia para acompanhar este tipo de peixe, mas quando há dry hopping, há vida. O frescor do aroma dos lúpulos agregará complexidade à harmonização e um toque de maracujá sempre cai bem com o bendito peixe de águas frias.

Rótulos Indicados - Colorado Vixnu, 2 Cabeças Maracujipa.




8 - Pavê - Pavê ou pa cumê? (Editado pela censura) -  Se o Pavê for claro e com frutas, uma cerveja
clara e complexa será bem-vinda. Se for de chocolate, uma scotch ale será boa companhia.

Rótulos sugeridos: Duvel Tripel Hop, Way Avelã Porter, Bodebrown Wee Heavy, Rochefort 8.




9 - Petit Gateau - Chocolate amargo, cerveja torrada. Não há como fugir, você irá de porter, stout ou dunkel.

Rótulos Indicados - Eisenbahn Dunkel, Way Cream Porter, Dum Petroleum, Brooklyn Black Chocolate Stout.







10 - Cheescake de frutas vermelhas - Frutas vermelhas e a adstringência do queijo, vamos fechar com uma lambic ou uma fruit lambic. Fruit Lambics também harmonizam muito bem com chocolate branco.

Rótulos Indicados - Lindemans Faro Lambic, Liefmans Cuvée Brut, Wensky Malina, Leffe Ruby.




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O que você faria com R$10 Milhões?

O que você faria se ganhasse um prêmio de 10 milhões de reais? Essa era a pergunta que não queria calar em nossa mesa. Viagens, carros, apartamentos? Convém pensar com calma o que fazer com o dinheiro pois não é incomum que milionários percam tudo em poucos anos.

"O homem que perdeu 315 milhões em 4 anos

O maior prêmio lotérico já concedido na história foi de fabulosos 315 milhões de dólares. O vencedor foi Jack Whittaker, um americano de 55 anos, que já tinha uma ótima estabilidade financeira trabalhando no ramo da construção civil. Assim que tirou a sorte grande, sua vida deu uma virada. Para pior. Ele foi preso por dirigir alcoolizado e ameaçar o dono de um bar. Assediou uma mulher em um “cachorródromo” (local onde se aposta em corridas de cães). E começou a perder dinheiro. Ladrões levaram 545 mil dólares de seu caro quando ele estava em uma boate de strip tease, levaram mais 200 mil em outra ocasião, sempre em dinheiro vivo. Whittaker foi processado por uma empresa ao passar cheques sem fundo para um cassino, no valor de 1,5 milhões de dólares, a fim de encobrir suas perdas no jogo. Mas a destruição de sua vida estava só começando. Sua mulher pediu o divórcio, sua neta e o namorado dela morreram de overdose meses depois, sua filha – mãe da neta já falecida – morreria pouco tempo depois por causas ainda não esclarecidas. Hoje, ele está sem família e sem sua escandalosa fortuna. Se serve de consolo, ele também praticou o bem com o dinheiro. Doou 1o milhões para associações cristãs de caridade, e com 14 milhões criou a “Jack Whittaker Foundantion”, uma ONG destinada a ajudar necessitados de West Virginia, estado onde mora."
Fonte - Hipescience

Agora, o que os 10 Milhões tem a ver com cerveja?  Tudo! Rica é uma descrição muito apropriada para a cerveja de hoje: La Trappe Quadrupel


Enquanto decidíamos o que fazer com os 10 milhões, eu degustava esta cerveja que é fabricada pela Koningshoeven, única fabricante de cervejas trapistas fora da Bélgica.

A cerveja trapista é um tipo de cerveja produzida sob a supervisão de monges da Ordem Trapista. Dos 171 mosteiros trapistas existentes no mundo apenas sete produzem cerveja (seis na Bélgica e um nos Países Baixos). Estes sete mosteiros são os únicos autorizados a marcar seus produtos com o selo de autenticidade trapista, garantindo a origem monástica de sua produção. As verdadeiras cervejas trapistas são: Orval, Westvleteren, Rochefort, Westmalle, Achel, Chimay e La Trappe.


Quadrupel é a mais potente, mais rica e mais alcoólica das trapistas (10%) . A coloração é âmbar-avermelhada e há boa formação de espuma com um creme levemente amarelado e persistente. Os aromas presentes nessa cerveja são complexos e muito agradáveis, a presença marcante de frutas vermelhas e pêssego convidam ao primeiro gole. Na boca esta cerveja apresenta corpo médio e sabores bem definidos, tudo em plena harmonia. O malte se pronuncia com dulçor enquanto o calor do álcool aquece sua boca, não deixando que os lúpulos, amargos, se escondam em nenhum momento. O equilíbrio perfeito, a riqueza de aromas e de sabores  em perfeita harmonia são a definição ideal para esta sacra cerveja.


Respondendo ao questionamento do início desse texto, não sei exatamente o que faria com 10 milhões, mas certamente o faria de maneira a jamais deixar de ter bons momentos com boa companhia, boa comida e boa música, afinal, não preciso de extravagâncias, apenas de bons amigos para dividir boas cervejas e grandes experiências. Aproveito para saudar e agradecer aos presentes na noite de ontem.




terça-feira, 3 de abril de 2012

Cerveja e espaguete


Westmalle – Tripel 9,5% APV


Cerveja belga trapista produzida na Abadia de Westmalle, antes chamada “Onze-Lieve-Vrouw van het Heilig Hart” (Já pensou se ainda tivesse esse nome, e a cerveja fosse assim batizada!? – Me vê uma Onze...é...Hart?). Essa abadia foi fundada em 1794.
Os monges passaram a vender as cervejas por eles produzidas em 1856 nos portões da abadia.
Poucas cervejas podem ostentar a marca de autêntica trapista. Isso porque, para ser assim considerada necessário atender a 3 requisitos básicos, porém, bastante restritos:
1) a cerveja deve ser produzida nos limites dos muros da abadia trapista, pelos próprios monges ou sob sua supervisão;
2) a cervejaria deve ser controlada pelo monastério e possuir objetivos compatíveis com os planos monásticos;
3) a cervejaria não possui fins lucrativos, sendo que os valores obtidos são destinados a manter o monastério e os monges e o resto é revertido em obras de caridade.
Essas informações e outras interessantes podem ser obtidas no sítio da Westmalle 

Sem mais delongas, vamos ao néctar!
Aroma frutado, espuma densa, leve ardida na língua no primeiro contato. Assim que passa essa primeira impressão você percebe que é cerveja pra macho! Amarga, menos frutada do que outras trapistas, parecendo uma agressão ao paladar.
Com mais alguns goles você passa apreciar mais e mais essa cervejinha temperamental. Deve ser por conta do amortecimento, já que se trata de 9,5% APV!
Segundo ZaK Avery, no Livro 500 cervejas da editora Marco Zero, essa cerveja vai muito bem com aspargos grelhados: “o amargor da Westmalle acentua o sabor com toques chamuscados e o pungente caráter herbáceo do aspargo. Como disse, um prazer para ‘gente grande’, que requer um tempo dedicado só para apreciar”. Tirando o requinte na descrição, realmente parece uma experiência agradável até para os mais exigentes paladares.
Agora, peço licença para fugir um pouco do tema, mas não esqueçam que nós avisamos que isso poderia acontecer na introdução ao blog. 


Falamos que a Westmalle é cerveja pra macho! Correndo o risco de parecer afeminado, em quesito de macheza, a primeira personalidade que me vem à cabeça é a do Sr. Clint Eastwood, em especial nos filmes de faroeste espaguete, gênero que inicialmente o consagrou nas grandes telas.

Com o fim da década de 50, o faroeste Hollywoodiano teve grande declínio, momento em que o gênero migrou para Europa, tendo como primeiro filme de faroeste espaguete “Armas Selvagens”, 1961, de Michael Carreras (KEMP, Philip in Tudo sobre cinema, 2011).
Contudo, o maior representante do gênero é o diretor Sergio Leone, com seu primeiro filme da Trilogia dos dólares, “Por um punhado de dólares”, justamente filme estrelado por Clintão.
Esses filmes, nitidamente, rompem com o estilo dos faroestes estadunidenses, já que seus personagens, bem como seus enredos, fogem da temática tradicional, onde bem e mal são figuras antagônicas e a moral e ética sempre são personificadas nos galãs, mesmo em situações críticas, como de tiroteios, a bravura e lealdade não abandonam esses estereótipos.
Os personagens dos faroestes espaguete, ao contrário, são impregnados de paradoxos morais. Mesmo os personagens de Clint, em geral, de “mocinho”, demonstram traços de uma personalidade egoística, gananciosa, havendo em alguns momentos isolados demonstrações de solidariedade e respeito a terceiros.
Essa quebra com as origens Hollywoodianas fica bem evidente em entrevista de Clint ao programa “Inside the Actors Studio”. Clint conta que em determinado set de filmagens o diretor manda o astro, até então dos filmes western, John Wayne, para que atirasse no “vilão” pelas costas, coisa que Wayne de pronto se recusou. Então o diretor trucou: - Clint Eastwood atiraria! John Wayne respondeu algo do tipo: - Olha, eu não sei o que esse garoto anda fazendo por aí, mas eu não atiro pelas costas.
Era a imagem do bom moço arraigada nos westerns produzidos na terrinha do Tio Sam.
Outro filme de Sergio Leone, essencial aos fãs de bang bang, e que na minha opinião é com certeza um dos melhores filmes do gênero em todos os tempos, é o “Era uma vez no Oeste” de 1968, estrelando outro cara muito macho, Charles Bronson, ao lado de Henry Fonda fazendo papel de um vilão mau feito pica-pau. Vale à pena conferir!
Cabe especial ênfase às trilhas sonoras dos filmes de Leone, feitas especialmente para as películas por um dos maiores compositores contemporâneos, o italiano Enio Morricone.
As músicas de Morricone representam a alma dos faroestes, suas introduções são tão marcantes que foram utilizadas em tempos mais recentes em shows como do Ramones, Metallica e Muse.
Ah! Os filmes de Sergio Leone também influenciaram uma nova geração de diretores, tal como Quentin Tarantino, que também usa músicas de Morricone em seus filmes (Kill Bill).
É isso aí, chega de abobrinha, espero que alguém tenha gostado...e para quem não conhece a obra do diretor Sergio Leone e do maestro Ennio Morricone torço para ter, pelo menos, despertado uma ponta de curiosidade ao leitor.
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